"Invenção", EUA rebatem informação sobre rascunho de acordo com Irã

Casa Branca afirmou que reportagens da mídia controlada por Teerã sobre suposto memorando não são verdadeiras

Aileen Graef e Kevin Liptak, da Reuters
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A Casa Branca rebateu nesta quarta-feira (27) as reportagens da mídia estatal iraniana sobre um suposto rascunho de um acordo entre Estados Unidos e Irã, classificando-as como uma “completa invenção”.

“Esta reportagem da mídia controlada pelo Irã não é verdadeira e o memorando de entendimento que eles ‘divulgaram’ é uma completa invenção. Ninguém deve acreditar no que a mídia estatal iraniana está divulgando. FATOS IMPORTAM”, publicou a conta de Resposta Rápida da Casa Branca no Facebook.

A mídia estatal iraniana informou que o rascunho de entendimento exigiria a retirada das forças militares americanas das proximidades do Irã e o levantamento do bloqueio aos portos iranianos.

Alguns detalhes são semelhantes à descrição feita por autoridades americanas sobre o acordo em desenvolvimento. Autoridades americanas afirmaram que o presidente Donald Trump estaria disposto a suspender o bloqueio, desde que o Irã permita a passagem de navios comerciais pelo Estreito de Ormuz.

“Como o presidente Trump disse, as negociações estão progredindo bem e ele deixou suas linhas vermelhas claras. O presidente Trump só fará um bom acordo para o povo americano, que deve garantir que o Irã jamais possa ter uma arma nuclear”, disse Olivia Wales, porta-voz da Casa Branca, em resposta à reportagem da TV estatal iraniana.

A IRIB, emissora que divulgou a informação, é considerada como controlada por elementos linha-dura do regime iraniano.

Busca por um acordo

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, convocou uma reunião de gabinete na Casa Branca para esta quarta-feira (27), em meio às discussões diplomáticas mediadas pelo Paquistão. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que os lados ainda divergem sobre pontos específicos do texto do acordo.

“As negociações estão avançando de maneira ordenada e construtiva”, afirmou Trump nos últimos dias, ao mesmo tempo em que reforçou que os EUA não irão “se precipitar em um acordo”.

Apesar do avanço diplomático, o clima na região continua tenso. O Irã acusou os Estados Unidos nesta terça-feira (26) de violarem repetidamente o cessar-fogo e atacarem navios mercantes iranianos e áreas próximas ao Estreito de Ormuz. O governo iraniano classificou as ações como prova de “engano e traição” por parte de Washington.

Os EUA confirmaram que realizaram ataques de “autodefesa” contra posições iranianas próximas ao estreito, alegando proteção às tropas americanas na região.

Em que estágio estão as negociações?

Segundo autoridades iranianas, muitas conclusões já foram alcançadas em um possível memorando de entendimento com cerca de 14 pontos principais. No entanto, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou que isso não significa que um acordo esteja próximo de ser finalizado.

A proposta em discussão prevê o fim gradual das hostilidades e daria um prazo de até 60 dias para negociações mais profundas sobre temas considerados mais complexos, especialmente o programa nuclear iraniano.

O diplomata iraniano Hossein Nooshabadi declarou à agência de notícias ISNA, na segunda-feira, que o possível acordo preliminar incluía o fim da guerra em todas as frentes, incluindo o Líbano, a liberação de ativos iranianos bloqueados, o levantamento do bloqueio naval dos EUA e a abertura do Estreito de Ormuz, a retirada das forças americanas das proximidades do Irã e a liberdade de vender petróleo iraniano.

Segundo Nooshabadi, o texto preliminar não inclui compromissos diretos sobre o programa nuclear do Irã, justamente um dos principais pontos de divergência com Washington.

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