Irã afirma estar "revisando" negociações com os EUA após novos ataques

Porta-voz iraniano acusa Washington de minar o processo de paz com violações do cessar-fogo e mudanças de posição

Nadeen Ebrahim e Aida Karimi, da CNN
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O Irã está "reavaliando" as negociações com os Estados Unidos em função dos ataques americanos contra Teerã na terça-feira (9) e na madrugada desta quarta-feira (10), afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baghaei, citado pela SNN (Rede de Notícias Estudantil Iraniana na sigla em inglês).

Baghai acusou os EUA e Israel de "repetidas violações do cessar-fogo" e disse que a diplomacia não pode "ocorrer no vácuo", acrescentando que "um ambiente mínimo propício ao seu funcionamento" é necessário para que as negociações avancem.

“Infelizmente, os Estados Unidos estão minando esse processo por meio de mensagens contraditórias, mudanças frequentes em suas posições e exigências, bem como por repetidas violações do cessar-fogo”, disse ele, acrescentando que Israel também demonstrou má-fé por meio de ataques recorrentes ao Líbano.

Na mais recente troca de tiros, o Irã afirmou ontem à noite ter lançado ataques retaliatórios contra alvos americanos na região após ter sido alvo de disparos dos EUA.

Os militares americanos disseram ter concluído ataques contra o Irã, que, segundo eles, foram uma resposta à queda de um helicóptero do Exército.

Retomada de ataques

A Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter realizado ataques com mísseis e drones contra bases militares americanas na Jordânia, no Kuwait e no Bahrein nesta quarta-feira (10), em retaliação aos ataques dos EUA contra alvos iranianos ao redor do Estreito de Ormuz.

A troca de acusações, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que o Irã havia abatido um helicóptero Apache americano perto do estreito, representa uma das escaladas mais significativas desde que Washington e Teerã concordaram com um cessar-fogo em abril.

Os militares americanos disseram ter atacado defesas aéreas iranianas, estações de controle terrestre e radares de vigilância, em uma "resposta proporcional" ao abate do helicóptero, cujos dois tripulantes foram resgatados.

Os ataques de retaliação, poucos dias depois do Irã ter trocado bombardeios com Israel pela primeira vez desde o cessar-fogo, lançaram novas dúvidas sobre as perspectivas de um acordo para pôr fim à guerra, que começou em 28 de fevereiro com ataques conjuntos dos EUA e de Israel contra Teerã.

Os ataques dos EUA duraram cerca de quatro horas, com o Comando Central dos EUA informando pouco antes das 22h (horário de Brasília) que as operações haviam sido encerradas. Um oficial americano afirmou que quase 20 alvos iranianos foram atingidos.

A IRGC (Guarda Revolucionária Islâmica do Irã) informou que a ilha de Qeshm e a cidade portuária de Sirik foram atacadas. A mídia iraniana também noticiou explosões em Bandar Abbas, outra cidade portuária, e posteriormente perto de Jask, na entrada do Estreito de Ormuz.

Acordo de paz parece distante

O cessar-fogo no início de abril foi anunciado com planos para negociações de paz. Desde então, diplomatas têm buscado reabrir o Estreito de Ormuz, encerrar o bloqueio americano aos portos iranianos e criar um caminho para negociações sobre o programa nuclear do Irã.

Trump afirmou repetidamente que um acordo está próximo, mas, apesar de várias rodadas de negociações indiretas mediadas pelo Paquistão e pelo Catar, os dois lados ainda parecem muito distantes.

Os combates em uma guerra paralela entre Israel e militantes do Hezbollah, apoiados pelo Irã, no Líbano, continuaram, e Teerã manteve restrições à maior parte da navegação pelo estreito, que antes da guerra transportava um quinto do petróleo bruto e do gás natural liquefeito do mundo.

Washington manteve seu próprio bloqueio aos portos iranianos.

Trump afirmou que qualquer acordo de paz deve garantir que o Irã não possa desenvolver uma arma nuclear. O Irã nega qualquer ambição nesse sentido.

As exigências de Teerã incluem o levantamento das sanções internacionais, a liberação de bilhões de dólares em ativos congelados, o reconhecimento de seu controle sobre o estreito e o fim dos combates no Líbano.

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