Irã avalia diplomacia com Estados Unidos em meio à tensão
Porta-voz do Ministério das Relações Exteriores informou que Teerã espera resultados nos próximos dias

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei afirmou nesta segunda-feira (2) que Teerã analisa vários processos diplomáticos para gerenciar as tensões com os Estados Unidos. Ele acrescentou que autoridades esperam resultados nos próximos dias.
Em meio a um aumento da presença militar da Marinha dos EUA perto do Irã, o presidente americano Donald Trump disse a repórteres na semana passada que o Irã estava "conversando seriamente" com Washington, horas depois de o principal oficial de segurança de Teerã, Ali Larijani, ter afirmado na rede social X que os preparativos para as negociações estavam em andamento.
"Os países da região são os intermediários nas mensagens que foram trocadas. Vários pontos foram discutidos e estamos atualmente decidindo e examinando os detalhes de cada processo diplomático, na esperança de que isso traga resultados nos próximos dias", disse Baghaei.
"Isto diz respeito ao processo e à estrutura das negociações", acrescentou.
Entenda a tensão entre Irã e Estados Unidos
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a ameaçar um ataque militar contra o Irã caso o país não negocie um novo acordo nuclear que "seja justo com todas as partes".
O líder americano disse que enviou uma "grande frota" para a região, incluindo o porta-aviões Abraham Lincoln e caças F-35.
Autoridades iranianas, por sua vez, refutaram a ideia de negociar sob ameaça dos Estados Unidos. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, disse que conversas só poderão ocorrer "em condições em que ameaças e demandas sejam deixadas de lado".
Araghchi também alertou que as Forças Armadas do Irã estão totalmente preparadas para responder “imediata e poderosamente” a qualquer agressão contra o território, o espaço aéreo ou as águas iranianas.
A escalada da tensão entre o Irã e os EUA neste ano teve início com a repressão aos protestos antigovernamentais no início de janeiro no país do Oriente Médio. A população iraniana se revoltou com a inflação desenfreada, tomando as ruas em manifestações contra o regime.
Trump alertou repetidamente que "atacaria com força total" se as autoridades iranianas reprimissem violentamente as manifestações, afirmando que o país estava "pronto e armado".
Durante os protestos, um bloqueio de internet foi imposto no país e mais de 5 mil manifestantes foram mortos, segundo grupos de direitos humanos.
Ali Shamkhani, conselheiro do líder supremo do Irã, afirmou que qualquer ataque dos Estados Unidos seria considerado o "início de uma guerra".


