Irã executou ao menos 56 pessoas desde março, diz autoridade da ONU

Chefe de direitos humanos das Nações Unidas afirma que mais de 100 cidadãos correm risco de execução sob acusações relacionadas à segurança

Thomas Seythal, Angus McDowall, Tom Hogue e Hugh Lawson, da Reuters
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Ao menos 56 pessoas foram executadas no Irã sob acusações relacionadas à segurança nacional desde 19 de março, afirmou nesta quarta-feira (5) o chefe de direitos humanos da ONU, Volker Turk.

Isso inclui 27 em casos ligados aos protestos do início do ano, ainda de acordo com Turk.

"Estou alarmado com o aumento das execuções e das sentenças de morte proferidas no Irã desde março, e com o fato de que a pena capital continua sendo utilizada para causar medo na população e reprimir a dissidência", disse ele em um comunicado.

Autoridades iranianas mataram milhares de pessoas durante protestos antigovernamentais em janeiro, a maior onda de agitação interna em décadas.

Grupos de defesa dos direitos afirmam que o regime continuou reprimindo opositores durante a guerra, desencadeada por ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã desde o final de fevereiro.

O chefe de direitos humanos das Nações Unidas afirmou que mais de 100 pessoas correm risco de execução sob acusações semelhantes relacionadas à segurança, enquanto as execuções por crimes ligados a drogas também continuavam em um "ritmo alarmante".

Ele pediu para que o Irã suspenda todas as execuções e avance rumo à abolição da pena de morte, além de expressar preocupação com o que descreveu como falhas em garantir julgamentos justos e o devido processo legal.

A missão diplomática do país em Genebra não respondeu de imediato a um pedido de comentário. Teerã já havia negado anteriormente as acusações de abusos contra prisioneiros.

Autoridades iranianas defenderam os processos judiciais do país e o uso da pena capital, alegando que são compatíveis com a legislação interna e necessários para a segurança pública.

Execuções por espionagem

O Irã executou dois de seus cidadãos na segunda-feira (3) sob acusações de espionagem e cooperação com Israel, informou a mídia estatal iraniana, em meio a um aumento nas execuções por crimes relacionados à segurança nacional.

Omid Behzad e Pouria Safvat foram acusados de enviar a Israel coordenadas de instalações militares e de segurança, bem como imagens e informações, durante a breve guerra no ano passado e em meio ao conflito mais recente, informou o Mizan, órgão de notícias do Judiciário.

Uma fonte a par da estratégia militar de Israel disse à Reuters em março que o país teve como alvo postos de controle operados pelo Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica com base em informações de inteligência obtidas de informantes em solo.

A Human Rights Watch, uma organização de direitos humanos sem fins lucrativos, informou em 24 de julho que o Irã executou pelo menos 50 pessoas nos últimos quatro meses sob acusações vagas de segurança nacional, incluindo vários jovens de 18 e 19 anos.