Irã prende milhares de manifestantes em protestos contra o governo

Mobilização começou em dezembro e foi intensificada nas últimas semanas motivada por dificuldades econômicas do país

Da Reuters
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Forças de segurança iranianas à paisana detiveram milhares de pessoas em uma campanha de prisões em massa e intimidação para impedir novos protestos após a repressão mais sangrenta desde a Revolução Islâmica de 1979. 

Protestos modestos que começaram no mês passado no Grande Bazar de Teerã, motivados por dificuldades econômicas, desencadearam queixas mais amplas, há muito reprimidas.

A ação rapidamente se transformou na mais grave ameaça existencial ao regime em quase cinco décadas, com manifestantes exigindo a renúncia dos clérigos no poder.

Segundo grupos de direitos humanos, as autoridades cortaram o acesso à internet e reprimiram os protestos com força desproporcional, resultando em milhares de mortes.

Teerã culpa "terroristas armados" ligados a Israel e aos Estados Unidos pela violência.

Celas secretas e controle à paisana

Em poucos dias, os postos de controle foram reforçados e mais agentes à paisana foram colocados nas ruas do país, de acordo com cinco ativistas que falaram à agência de notícias Reuters em condição de anonimato.

Fontes relataram que os detidos foram colocados em celas secretas.

"Eles estão prendendo todo mundo", disse um dos ativistas. "Ninguém sabe para onde estão sendo levados ou onde estão sendo mantidos. Com essas prisões e ameaças, eles estão tentando instaurar o medo na sociedade."

Relatos semelhantes foram fornecidos à Reuters por advogados, médicos, testemunhas e dois funcionários iranianos.

Eles disseram que as prisões em massa pareciam ter como objetivo impedir qualquer retomada séria dos protestos, espalhando o medo justamente quando o regime enfrenta crescente pressão externa.

Ameaça de ataque dos EUA

A incerteza sobre a possibilidade de uma ação militar contra a República Islâmica persiste desde que o presidente dos EUA, Donald Trump, disse na semana passada que uma "armada" estava a caminho do país, mas que esperava não ter que usá-la.

Nesta quarta-feira (28), porém, Trump reforçou suas ameaças, exigindo que o Irã negociasse restrições ao seu programa nuclear e alertando que qualquer futuro ataque dos EUA seria "muito pior" do que um dia de ataques aéreos em junho passado contra três instalações nucleares.

Diversas fontes ocidentais e do Oriente Médio disseram à Reuters esta semana que Trump está avaliando opções contra o Irã, incluindo ataques direcionados às forças de segurança e líderes para incitar protestos, embora autoridades israelenses e árabes tenham afirmado que o poder aéreo por si só não derrubará o regime clerical.