Iranianos protestam contra o regime antes da estreia da seleção nos EUA
Centenas de membros da comunidade iraniana nos Estados Unidos se reuniram do lado de fora do Estádio de Los Angeles, antes da estreia da seleção pela Copa do Mundo

Centenas de iranianos se reuniram do lado de fora do estádio de Los Angeles nesta segunda-feira (15), antes da partida de estreia da seleção do Irã pela Copa do Mundo.
Alguns seguravam cartazes e bandeiras contra o regime iraniano, e disseram que não queriam assistir à partida, pois isso implicaria em apoio a Teerã. Já outros pediam para que os iranianos se unissem e deixassem a política de lado.
Membros da comunidade iraniana nos EUA foram ao estádio, mas levaram consigo símbolos de protesto, incluindo a bandeira do Irã pré-revolucionário, que tem as mesmas cores da bandeira oficial atual, mas com um leão e um sol diferentes.
O Irã ameaçou interromper as partidas caso bandeiras não oficiais sejam levadas ou slogans sejam entoados.
Questionada sobre o assunto, a FIFA, entidade máxima do futebol mundial, citou as regras que proíbem bandeiras ou vestimentas de cunho político. Mas não comentou especificamente qual será sua abordagem em relação à bandeira iraniana pré-revolucionária e não se manifestou imediatamente na segunda-feira.
A Reuters viu diversas pessoas carregando a bandeira do leão e do sol ou vestindo camisetas com o símbolo passando pela segurança sem problemas na segunda-feira. Muitas começaram a erguer a bandeira de seus assentos.
Três pessoas nas arquibancadas vestindo camisetas brancas com o leão e o sol estampados disseram que decidiram usá-las apesar dos avisos.
"Esta seleção não representa o povo iraniano", disse um dos três, Farhad Jafargad. Ele e outros disseram que planejavam torcer pela Nova Zelândia.
O país estreou pelo torneio nesta segunda-feira, em uma partida contra a Nova Zelândia que teve início às 22h, horário de Brasília.
Los Angeles, lar da maior comunidade iraniana fora do Irã, muitos dos quais fugiram do país após a Revolução Islâmica, os torcedores iranianos-americanos dizem estar divididos entre a empolgação de ver a seleção no maior palco do futebol mundial, a raiva pela repressão de Teerã aos manifestantes e a preocupação com a campanha de bombardeios de Washington.
"Deixem a política de lado"
Outros torcedores se envolveram na bandeira oficial e reclamaram de terem sido hostilizados pelos manifestantes. Alguns disseram que queriam se concentrar em sua seleção, carinhosamente conhecida como Team Melli, e esquecer a política.
"Estou aqui para apoiar o Irã. Vamos ganhar este jogo", disse Mehdi Jafari, de 57 anos, vestindo uma camisa da seleção iraniana de futebol.
"Temos muito orgulho do nosso país. Estamos aqui para apoiar o Irã. Acho que todos devemos deixar a política de lado e simplesmente entrar e torcer pela Team Melli", acrescentou.
A participação do Irã no torneio tem sido marcada por controvérsias em meio à guerra, que começou em fevereiro, quando os EUA e Israel lançaram ataques contra o Irã.
Isso ocorreu após protestos em todo o Irã em janeiro, nos quais milhares de pessoas foram mortas em uma violenta repressão do governo.
Nas últimas semanas, o time de futebol mudou sua sede do Arizona para o México, enquanto sua federação reclamou que nem todos os membros da equipe receberam vistos americanos e que ingressos destinados aos torcedores foram retirados.


