Irmãos americanos retornam aos EUA após três anos impedidos de sair da China

Em 2019, Victor Liu disse à CNN que sua família estava presa na China para pressionar seu pai, um fugitivo chinês, a retornar a Pequim

Os irmãos Victor e Cynthia
Os irmãos Victor e Cynthia Arquivo Pessoal/ Amigos da família Liu

Jennifer HanslerChandelis Dusterda CNN

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Dois irmãos norte-americanos impedidos de deixar a China desde 2018 agora têm permissão para viajar de volta aos Estados Unidos.

Em junho de 2018, as autoridades chinesas impuseram uma “proibição de saída” a Victor e Cynthia Liu, ambos cidadãos americanos, enquanto visitavam familiares na China. Um porta-voz do Departamento de Estado disse que eles “dão as boas-vindas ao retorno de Cynthia e Victor Liu, que chegaram aos Estados Unidos no último domingo”.

“Nossa equipe consular em Xangai ajudou a facilitar sua partida”, disse o porta-voz nesta terça-feira (28), acrescentando que eles fizeram essa confirmação após consulta direta com a família.

Victor e Cynthia Liu não quiseram comentar o caso. David Pressman, um ex-funcionário do governo dos Estados Unidos e advogado que liderou o caso, disse na terça-feira que “finalmente, dois jovens americanos estão de volta aos Estados Unidos, mais uma vez capazes de desfrutar das bênçãos diárias da liberdade que todos nós com frequência apreciamos neste país.”

“Depois de anos de trabalho árduo de muitas pessoas, foi um privilégio poder finalmente abraçar Victor e Cynthia e recebê-los em casa”, disse ele em um comunicado.

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Hua Chunying, disse que Victor e Cynthia Liu voltaram aos EUA depois que a polícia chinesa suspendeu as restrições aos seus movimentos de viagem, insistindo que a proibição era um “ato judicial independente” baseado no “estado de direito” da China.

“O tratamento do caso Liu foi um ato judicial independente. A China é um país sob o estado de direito”, disse Hua. “Qualquer pessoa, independentemente da nacionalidade, desde que seja suspeita de crimes ilegais, deve ser proibida de deixar o país de acordo com a lei e as agências de aplicação da lei chinesas tratarão disso de acordo com a lei.”

Em agosto de 2019, Victor Liu, um estudante de Georgetown, disse à CNN que sua família estava presa na China para pressionar seu pai Liu Changming, um fugitivo chinês, a retornar a Pequim, onde ainda é procurado por crimes financeiros. Cynthia e Victor Liu disseram que seu pai abandonou a família há anos e eles não tinham contato com ele.

A mãe dos irmãos Liu, Sandra Han, foi separada dos filhos em 2018 e continua na China.

O irmão e a irmã fizeram apelos públicos sobre sua situação e Cynthia Liu escreveu uma carta ao senador de Massachusetts Ed Markey, um democrata, pedindo sua ajuda. Eles também fizeram um apelo em 2019 ao então presidente Donald Trump por ajuda.

Markey e sua colega senadora de Massachusetts, Elizabeth Warren, elogiaram o retorno dos irmãos Liu aos Estados Unidos em um comunicado conjunto, dizendo que eles estavam “detidos na China como peões do governo chinês”. Os senadores também disseram que trabalhariam com o governo Biden para garantir a libertação de sua mãe.

Um grupo bipartidário de senadores, incluindo Markey, reintroduziu uma legislação em abril que revogaria ou negaria vistos a funcionários chineses “envolvidos na formulação ou execução de uma política que evita que cidadãos inocentes dos Estados Unidos deixem a China”.

Em um comunicado de viagens emitido em 2019, o Departamento de Estado alertou os cidadãos norte-americanos sobre o uso “coercitivo” de proibições de saída da China.

O porta-voz do Departamento de Estado disse na terça-feira: “Nós nos opomos ao uso de proibições de saída coercitivas contra pessoas que não são acusadas de crimes.

“Continuaremos a advogar em nome de todos os cidadãos americanos sujeitos a detenções arbitrárias e proibições de saída coercitivas”, disseram eles.

Caso Meng Wanzhou

A “proibição de saída” de Victor e Cynthia Liu, ambos cidadãos norte-americanos, segue o acordo entre o Departamento de Justiça dos EUA e a executiva da Huawei Meng Wanzhou para adiar o julgamento das acusações dos EUA contra ela até o final de 2022.

Esse acordo permitiu que Meng, que havia sido detida no Canadá, retornasse à China. Pequim também libertou dois cidadãos canadenses, Michael Kovrig e Michael Spavor, após a libertação de Meng.

Meng foi presa no Aeroporto Internacional de Vancouver após um mandado dos EUA, e indiciada por acusações de fraude bancária por supostamente enganar o HSBC em 2013 sobre as negociações comerciais da Huawei no Irã.

(Texto traduzido, leia original em inglês aqui)

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