Israel deve suspender entrega de ajuda em Gaza pelo ar antes de ofensiva
Exército se prepara para tomar completamente a maior cidade do território palestino após quase dois anos de guerra, apesar de alertas sobre consequências

Israel deve suspender os lançamentos aéreos sobre a Cidade de Gaza e reduzir a entrada de caminhões de ajuda humanitária antes de uma grande ofensiva, disse uma fonte à CNN, enquanto a Cruz Vermelha alerta que os planos israelenses de desocupação em massa eram "impossíveis".
Israel está se preparando para tomar completamente a maior cidade de Gaza após quase dois anos de guerra, apesar dos alertas de que a campanha terá consequências desastrosas e insuportáveis para os palestinos na região.
O Exército israelense realizou bombardeios pesados e ataques terrestres contra a Cidade de Gaza nos últimos dias, segundo testemunhas e autoridades palestinas, interrompendo serviços vitais e deixando milhares de pessoas amontoadas em uma área cada vez menor.
Ataque no oeste e no norte de Gaza
Neste sábado (30), um ataque israelense na Rua Al-Nasr, no oeste da Cidade de Gaza, matou pelo menos 11 palestinos, incluindo seis crianças, disseram autoridades de saúde da região.
Outras 25 pessoas ficaram feridas, de acordo com Mohammed Abu Salmiya, diretor do Hospital Al-Shifa, no norte de Gaza. O número de mortos deve aumentar.
Imagens da CNN do pátio do hospital mostraram uma fileira de crianças mortas, envoltas em cobertores. Familiares lamentam as perdas.
"Não sei o que aconteceu", disse um homem à CNN. "Essas crianças são amadas por Deus. Qual foi o pecado delas?"
A CNN entrou em contato com o exército israelense para obter comentários sobre o ataque.
Expansão da ofensiva israelense
Na sexta-feira (29), o Exército declarou a cidade como uma "zona de combate perigosa" antes do ataque planejado, que, segundo o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, terá como alvo o que ele chama de "esconderijos restantes" do Hamas.
Esta semana, drones israelenses sobrevoaram diversas áreas dentro e ao redor da cidade para lançar panfletos, segundo moradores da Cidade de Gaza, orientando as pessoas a se deslocarem para o sul de Wadi Gaza – um vale fluvial que divide a Faixa de Gaza ao meio.
"A todos na Cidade de Gaza e na área de Jabalya, como foram avisados anteriormente, o exército israelense está expandindo suas operações para o oeste. Para sua segurança, se desloquem imediatamente para o sul de Wadi Gaza", dizem os panfletos.
Mas o CICV (Comitê Internacional da Cruz Vermelha) denunciou a medida.
"É impossível que uma desocupação em massa da Cidade de Gaza seja realizada de forma segura e digna nas condições atuais", disse a presidente do CICV, Mirjana Spoljaric, em um comunicado, alertando que palestinos famintos, incapacitados e feridos não conseguem se movimentar.
"Tal desocupação desencadearia um movimento populacional massivo que nenhuma área da Faixa de Gaza pode absorver, dada a destruição generalizada da infraestrutura civil e a extrema escassez de alimentos, água, abrigo e assistência médica", acrescentou Spoljaric.
Moradores da Cidade de Gaza estão sendo "aterrorizados 24 horas por dia"
Mais de um milhão de pessoas estão deslocadas somente nas partes central e oeste da Cidade de Gaza, disse um porta-voz do município neste sábado (39), alertando que as condições já são "terríveis".
"Esperamos um aumento acentuado no número de vítimas se a ocupação expandir sua operação militar", disse Asem Alnabih. "Estamos enfrentando um colapso total dos serviços, já que a ocupação continua a impedir a entrada de combustível e do maquinário de que precisamos."
Um alto funcionário da ONU alertou que os moradores da Cidade de Gaza – que enfrentam exaustão física, fome, desnutrição e fadiga – também estão sob a sombra constante dos bombardeios, o que enfraquece a capacidade de tomar decisões de vida ou morte.
“Essas pessoas estão enfrentando a morte. No entanto, agora enfrentam a ameaça de uma invasão”, disse Sam Rose, chefe da UNRWA (agência da ONU para refugiados palestinos) em Gaza. “Eles estão sendo aterrorizados 24 horas por dia.”
O exército israelense também anunciou planos para interromper as “pausas táticas” de 10 horas nas hostilidades, que começaram há um mês, após severas restrições de ajuda humanitária, cercos e bombardeios que causaram uma crise de forme mortal no território.
Nas últimas 24 horas, mais 10 pessoas morreram de fome e desnutrição em Gaza, elevando o total para pelo menos 332 palestinos desde 7 de outubro de 2023, informou o Ministério da Saúde neste sábado (30). Dos que morreram, 124 eram crianças, acrescentou o ministério.
Os ataques israelenses em Gaza após os ataques liderados pelo Hamas em 7 de outubro de 2023 mataram 63.371 palestinos e feriram outras 159.835 pessoas, de acordo com o Ministério da Saúde do território.



