Israel e Líbano realizam negociações nesta terça-feira (14), em Washington
Conversas devem acontecer no Departamento de Estado dos EUA e devem contar com a participação de Marco Rubio
Autoridades de Israel e Líbano devem se reunir nesta terça-feira (14), em Washington, para discutir o anúncio de um possível acordo de cessar-fogo, em uma tentativa de avançar nas negociações para conter a escalada no conflito entre Israel e o Hezbollah.
A reunião será realizada na sede do Departamento de Estado dos EUA e contará com a participação do secretário de Estado Marco Rubio, além de diplomatas dos três países.
Ambos os lados estão sob pressão de Trump para pôr fim aos combates, uma exigência fundamental do Irã em negociações paralelas previstas para este fim de semana no Paquistão.
A atual escalada começou após ataques do Hezbollah contra Israel, em 2 de março, poucos dias depois do início de um conflito entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã. Desde então, Israel intensificou bombardeios no território libanês e ampliou operações terrestres no sul do país.
Autoridades libanesas apontam que pelo menos 1.888 pessoas morreram e milhares ficaram feridas desde o início dos confrontos. Do lado israelense, ao menos duas mortes foram registradas em ataques com foguetes.
Inicialmente, Israel havia rejeitado uma proposta do presidente libanês, Joseph Aoun, para negociações diretas, mas mudou de posição após os avanços diplomáticos recentes.
As negociações ganharam força após o acordo de cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irã, que incluiu pressão para redução das hostilidades no Líbano. Em conversa telefônica, o presidente americano, Donald Trump, teria pedido ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, a diminuição dos ataques em uma ligação realizada na quinta-feira (9).
Mais tarde, no mesmo dia, Netanyahu anunciou que Israel iniciaria negociações com o Líbano.
Quem lidera as negociações?
Dois funcionários israelenses disseram que conversas serão realizadas entre o embaixador de Israel nos EUA, Yechiel Leiter, e a libanesa, Nada Hamadeh Moawad.
Na preparação para as negociações, Netanyahu nomeou Ron Dermer, ex-ministro de Assuntos Estratégicos e confidente próximo, para liderar eventuais negociações com o Líbano. Uma fonte familiarizada com o assunto disse que Dermer poderá participar de conversas posteriores, mas não é esperado em Washington.
O Líbano também escolheu Simon Karam, ex-embaixador libanês nos EUA, para chefiar a delegação libanesa nas negociações mais amplas. Autoridades libanesas disseram que ele também não estará presente na reunião desta terça-feira.
Divergências
As posições de Israel e Líbano seguem distantes.
Enquanto Israel quer desarmar o Hezbollah e avançar para um acordo de paz, sem necessariamente interromper as operações militares, o Líbano defende que um cessar-fogo seja condição prévia para qualquer avanço nas negociações.
O governo libanês também enfrenta pressão interna para conter o Hezbollah, embora o grupo mantenha forte influência política e militar no país.
O líder do Hezbollah, Naim Qassem, rejeitou publicamente as negociações, classificando-as como “inúteis” e afirmando que o grupo não aceitará desarmamento.
Histórico de conversas
Israel e Líbano não mantêm relações diplomáticas formais e, tecnicamente, estão em estado de guerra desde a fundação de Israel, em 1948.
Israel tem um longo histórico de incursões e invasões militares no Líbano, incluindo uma ocupação de 18 anos no sul do país, de 1982 a 2000, que começou como uma operação contra grupos palestinos.
Mais recentemente, Israel e Líbano realizaram negociações mediadas pelos EUA em 2022, que resultaram em um acordo bilateral estabelecendo uma fronteira marítima entre os dois países.
Em dezembro de 2025, as duas partes realizaram conversas indiretas com os EUA em Naqoura, no sul do Líbano, para tentar consolidar o acordo que pôs fim aos combates entre Israel e o Hezbollah em 2024.
(Com informações de Eyad Kourdi, Hira Humayun e Jennifer Hansler, da CNN e da Reuters)


