Israel intensifica bombardeios na Cidade de Gaza

Ataques aconteceram horas após o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu dizer que espera acelerar ofensiva no território palestino

Nidal al-Mughrabi, da Reuters, Cairo
Cidade de Gaza após anúncio de acordo de cessar-fogo entre Israel e Hamas  • Reuters
Compartilhar matéria

Palestinos relataram os bombardeios mais pesados em semanas na segunda-feira (11) em áreas a leste da Cidade de Gaza. Os ataques aconteceram poucas horas depois de o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu dizer que esperava completar uma nova ofensiva expandida contra o Hamas "bem rápido".

Um ataque aéreo também matou seis jornalistas, incluindo o correspondente da Al Jazeera, Anas Al Sharif, em uma tenda no complexo do Hospital Al Shifa, na Cidade de Gaza. O ataque foi o mais mortal contra jornalistas desde o início da guerra.

Testemunhas disseram que tanques e aviões israelenses atacaram Sabra, Zeitoun e Shejaia, três subúrbios ao leste da Cidade de Gaza, no norte do território, na segunda-feira (11), forçando muitas famílias a deixarem suas casas em direção ao oeste.

Alguns moradores da Cidade de Gaza disseram que foi uma das piores noites em semanas, aumentando os temores de preparativos militares para uma ofensiva mais profunda na cidade, que, segundo o Hamas, agora abriga cerca de 1 milhão de pessoas após o deslocamento de moradores das extremidades do norte do enclave.

O exército israelense afirmou que suas forças dispararam artilharia contra rebeldes do Hamas na área. Não havia sinais no terreno de que forças estivessem se aprofundando na Cidade de Gaza como parte da ofensiva israelense recém-aprovada, cujo início não estava previsto para as próximas semanas.

"Parecia que a guerra estava recomeçando", disse Amr Salah, 25 anos. "Tanques dispararam contra casas, e várias casas foram atingidas, e os aviões fizeram o que chamamos de anéis de fogo, quando vários mísseis caíram em algumas estradas no leste de Gaza", disse ele à Reuters por meio de um aplicativo de bate-papo.

O exército israelense disse que suas forças desmantelaram no domingo (10) um local de lançamento a leste da Cidade de Gaza, que o Hamas usava para disparar foguetes contra comunidades israelenses do outro lado da fronteira.

Netanyahu disse no domingo (10) que instruiu o exército israelense a acelerar seus planos para a nova ofensiva.

"Quero acabar com a guerra o mais rápido possível, e é por isso que instruí as IDF (Forças de Defesa de Israel) a encurtar o cronograma para tomada do controle da Cidade de Gaza", disse ele.

Netanyahu afirmou que a nova ofensiva se concentraria na Cidade de Gaza, que ele descreveu como a "capital do terrorismo" do Hamas. Ele também indicou que a região costeira do centro de Gaza pode ser a próxima, afirmando que militantes do Hamas também foram empurrados para lá.

Os novos planos causaram alarme no exterior, com o presidente francês Emmanuel Macron dizendo na segunda-feira (11) que eles anunciavam "um desastre de gravidade sem precedentes" e "um movimento em direção a uma guerra sem fim".

Na sexta-feira (8), a Alemanha, um importante aliado europeu, anunciou que suspenderia as exportações para Israel de equipamentos militares que poderiam ser usados em Gaza. O Reino Unido e outros aliados europeus instaram Israel a reconsiderar sua decisão de intensificar a campanha militar em Gaza.

Mike Huckabee, embaixador dos EUA em Israel, disse à Reuters que alguns países pareciam estar pressionando Israel em vez do Hamas, cujo ataque mortal a Israel em 7 de outubro de 2023 deu início à guerra.

A ofensiva planejada por Israel coincide com o agravamento da fome em Gaza.

Na segunda-feira (11), o Ministério da Saúde do território informou que mais cinco pessoas morreram de desnutrição e fome em Gaza nas últimas 24 horas. Isso elevou o número de mortes por essas causas para 222, incluindo 101 crianças, desde o início da guerra, informou o ministério.

Israel afirma ter intensificado a entrada de ajuda humanitária e bens comerciais em Gaza nas últimas semanas. Autoridades palestinas e da ONU afirmam que a ajuda é uma fração do que Gaza precisa.

Jornalistas mortos em Gaza

Médicos do Hospital Al-Shifa disseram que o ataque aéreo que matou Al Sharif, da Al Jazeera, e quatro de seus colegas também matou o freelancer local Mohammad Al-Khaldi, elevando o número de jornalistas mortos no ataque para seis.

Israel confirmou que atacou e matou Al Sharif, alegando que ele liderava uma célula do Hamas e estava envolvido em ataques com foguetes contra Israel.

A Al Jazeera rejeitou a alegação e, antes de sua morte, Al Sharif também rejeitou as alegações israelenses de que ele tinha ligações com o Hamas.

O Hamas, grupo armado que governa Gaza desde 2007, vinculou seu assassinato à nova ofensiva planejada.

A assessoria de imprensa do governo de Gaza, administrada pelo Hamas, informou que 238 jornalistas foram mortos em quase dois anos de guerra. O Comitê para a Proteção dos Jornalistas afirmou que pelo menos 186 jornalistas foram mortos.

Combatentes liderados pelo Hamas desencadearam a guerra em outubro de 2023, quando invadiram Israel, matando 1.200 pessoas e fazendo 251 reféns, segundo dados israelenses. Cerca de 50 reféns ainda estão em Gaza, mas acredita-se que apenas cerca de 20 estejam vivos.

Mais de 61 mil palestinos foram mortos pela campanha israelense desde então, segundo autoridades de saúde de Gaza. A maior parte da população de Gaza foi deslocada diversas vezes e seus moradores enfrentam uma crise humanitária, com áreas do território reduzidas a escombros.