Israel recebe corpo do Hamas e anuncia abertura da passagem de Rafah

Entrega de restos mortais pelo grupo palestino cumpre uma condição fundamental da primeira parte do plano do presidente dos EUA, Donald Trump, para pôr fim à guerra

Da Reuters
Veículo da Cruz Vermelha em Gaza
Veículo da Cruz Vermelha em Gaza  • 13/10/2025 REUTERS/Ramadan Abed
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Israel recebeu nesta, quarta-feira (3), o corpo de um dos dois últimos reféns mortos na Faixa de Gaza e reforçou seu que abrirá a passagem de Rafah, no sul do enclave palestino, nos próximos dias, cumprindo o acordo de cessar-fogo. 

Um corpo foi transferido pela Cruz Vermelha para as Forças Armadas de Israel e será submetido a identificação forense, segundo um comunicado do gabinete do primeiro-ministro israelense.

O Hamas também entregou restos mortais na terça-feira (2), que, segundo o gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, não pertenciam a nenhum refém.

A entrega dos corpos dos últimos reféns em Gaza cumpriria uma condição fundamental da primeira parte do plano do presidente dos EUA, Donald Trump, para pôr fim à guerra de dois anos em Gaza, que também prevê a abertura da passagem fronteiriça de Rafah entre Gaza e o Egito nos dois sentidos.

Passagem de Rafah

Israel mantém a passagem fechada desde que o cessar-fogo entrou em vigor em outubro, alegando que o Hamas deve cumprir o acordo de devolver todos os reféns que ainda estão em Gaza, vivos e mortos.

"A passagem será aberta nos dois sentidos quando todos os nossos reféns forem libertados", disse a porta-voz do governo israelense, Shosh Bedrosian, a repórteres.

Desde o início da frágil trégua, o Hamas devolveu todos os 20 reféns vivos e 26 corpos em troca de cerca de 2 mil palestinos detidos e prisioneiros condenados, mas dois outros cativos mortos – um policial israelense e um trabalhador agrícola tailandês – ainda estão em Gaza.

Israel afirma que "descobertas" anteriores não estão relacionadas aos reféns.

O braço armado do movimento Jihad Islâmica Palestina, aliado do Hamas, as Brigadas Al Quds, afirmou ter encontrado o corpo de um refém após realizar uma busca no norte de Gaza, juntamente com uma equipe da Cruz Vermelha.

O Hamas e a Jihad Islâmica afirmaram ter entregado o corpo à Cruz Vermelha no final da tarde de quarta-feira. Os grupos não especificaram qual dos dois reféns falecidos restantes eles acreditavam ser o corpo.

Os dois são o policial israelense Ran Gvili e o cidadão tailandês Sudthisak Rinthalak, ambos sequestrados durante o ataque do Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023, que desencadeou dois anos de guerra devastadora em Gaza.

Ajuda humanitária

A abertura da passagem poderia permitir a saída daqueles que precisam de tratamento.

O COGAT, braço militar israelense responsável por assuntos humanitários, afirmou que a passagem de Rafah será aberta nos próximos dias para permitir que palestinos entrem no Egito.

A decisão de abrir a passagem para aqueles que desejam sair de Gaza foi tomada em "total coordenação" com aqueles que mediaram entre Israel e o Hamas durante a guerra, disse Bedrosian.

O Egito, juntamente com o Catar e os EUA, tem atuado como mediador.

O COGAT afirmou que a operação seria aberta sob a supervisão de uma missão da União Europeia – um mecanismo semelhante ao utilizado durante o cessar-fogo anterior em Gaza, acordado em janeiro de 2025.

Antes da guerra, a passagem de Rafah era o único ponto de saída direta para a maioria dos palestinos em Gaza chegarem ao mundo exterior e um ponto de entrada fundamental para ajuda humanitária no território. Ela permaneceu praticamente fechada durante todo o conflito.

Segundo as Nações Unidas, pelo menos 16.500 pacientes em Gaza precisam de cuidados médicos fora do enclave. Alguns habitantes de Gaza conseguiram sair para receber tratamento médico no exterior, passando por Israel.

Ataques pontuais permanecem

A violência diminuiu desde o cessar-fogo de 10 de outubro, mas Israel continuou a atacar Gaza e a realizar demolições contra o que considera infraestrutura do Hamas. Hamas e Israel têm trocado acusações sobre a violação do acordo apoiado pelos EUA.

Autoridades de saúde do Hospital Al-Ahli, em Gaza, informaram na quarta-feira que dois palestinos foram mortos por disparos israelenses no subúrbio de Zeitoun, na Cidade de Gaza.

Os militares israelenses disseram estar investigando o ocorrido.

Mais de 350 palestinos foram mortos desde que o cessar-fogo entre Israel e o Hamas entrou em vigor, segundo autoridades de saúde de Gaza.

Militantes palestinos mataram três soldados israelenses nesse período, informaram as autoridades israelenses.