Cessar-fogo entre Israel e Hamas completa um mês; relembre

Acordo marcou o primeiro avanço nas negociações após dois anos de conflito no Oriente Médio; Cerca de 20 reféns israelenses foram libertados vivos

Da CNN Brasil
Trump assina acordo de cessar fogo em Gaza  • Suzanne Plunkett - Pool / Getty Images)
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O acordo de cessar-fogo entre Israel e Hamas foi assinado formalmente há um mês, em 9 de outubro de 2025, marcando o primeiro avanço nas negociações após dois anos de conflito no Oriente Médio. 

O plano de paz sobrevive apesar das acusações de violação de ambas as partes.

Uma autoridade sênior do Hamas acusou Israel de desrespeitar o cessar-fogo por ter matado palestinos em tiroteios.

Enquanto isso, Israel afirma que a próxima fase do plano de 20 pontos para acabar com a guerra, elaborado pelo governo do presidente dos EUA, Donald Trump, exige que o Hamas abandone suas armas e ceda o poder, o que até agora se recusou a fazer. 

Durante o primeiro mês de cessar-fogo, o governo israelense facilitou a entrada de mais caminhões de ajuda humanitária por duas passagens em Gaza, mas autoridades da ONU e palestinas disseram que isso ainda está longe de ser suficiente.

A seguir, relembre como foi assinado o acordo de cessar-fogo entre Israel e Hamas.

 

Plano dos EUA para Gaza 

Palestinos, incluindo crianças, caminham rumo ao norte da Faixa de Gaza, em Deir Al-Balah, após início do cessar-fogo. • Hassan Jedi/Anadolu via Getty Images
Palestinos, incluindo crianças, caminham rumo ao norte da Faixa de Gaza, em Deir Al-Balah, após início do cessar-fogo. • Hassan Jedi/Anadolu via Getty Images

A iniciativa partiu do presidente americano, que, partir de uma proposta de 20 pontos, propôs um acordo para acabar com a guerra na Faixa de Gaza, incluindo cessar-fogo, negociações de reféns e preparação do cenário para que Israel gradualmente entregue o território conquistado a uma força de segurança internacional. 

A proposta do governo americano prevê um governo internacional temporário, que seria chamado de “Conselho da Paz”, chefiado e presidido por Trump, com outros membros e chefes de Estado a serem anunciados, incluindo o ex-primeiro-ministro do Reino Unido Tony Blair. 

Embora não mencione um cronograma fixo para que os acordos sejam cumpridos, o plano marcou a primeira vez que Israel concordou publicamente em eventualmente se retirar de partes da Faixa de Gaza e entregar território a uma força de segurança internacional. 

O controle de Gaza seria posteriormente cedido à Autoridade Palestina. 

A proposta também indica que Israel deve aumentar significativamente a ajuda a Gaza, mesmo que o Hamas a rejeite. 

plano apresentado por Trump mencionou cessar-fogo permanente e a libertação de todos os reféns que continuam nas mãos do Hamas, vivos ou mortos. 

Em troca, Israel libertaria presos palestinos e devolverá restos mortais de pessoas de Gaza. O acordo sugeriu ainda que Gaza não será anexada por Israel e que o Hamas não terá participação no governo do território. 

Integrantes do grupo palestino que se renderem seriam anistiados.

proposta também incluiu a retirada gradual das forças israelenses de Gaza e a desmilitarização do território. 

Libertação de reféns

Refém Avinatan Or retornou com representantes das IDF após libertação do cativeiro • Unidade de Porta-vozes das IDF
Refém Avinatan Or retornou com representantes das IDF após libertação do cativeiro • Unidade de Porta-vozes das IDF

Desde que o cessar- fogo entrou em vigor, o Hamas libertou 20 reféns vivos. Em troca, Israel libertou quase 2 mil palestinos condenados e detentos de guerra.

O acordo também incluiu a entrega dos restos mortais de 28 reféns mortos mantidos em Gaza em troca dos restos mortais de 360 ​​militantes mantidos por Israel.

Até domingo (9), os corpos de 23 reféns foram entregues a Israel, que transferiram os restos mortais de 300 palestinos, embora nem todos tenham sido identificados, de acordo com as autoridades de saúde de Gaza.

Militantes palestinos fizeram 251 reféns, vivos e mortos, em outubro de 2023, quando o Hamas atacou Israel.

Outros quatro reféns já estavam sendo mantidos em Gaza antes disso.

Próxima fase do acordo 

Uma força de estabilização apoiada pelos Estados Unidos deve garantir a segurança em Gaza. Os detalhes ainda não foram acordados. 

Washington concordou em fornecer até 200 soldados para apoiar a força sem serem enviados para o território palestino. 

Autoridades americanas disseram que também estão conversando com a Indonésia, Emirados Árabes Unidos, Egito, Catar, Turquia e Azerbaijão para contribuir. 

Trump quer o Hamas e outras facções se desarmem e que Gaza seja desmilitarizada. 

Recentemente, o presidente americano disse que uma Força Internacional de Estabilização para Gaza estará em solo palestino "muito em breve".

No entanto, o grupo nunca aceitou isso e afirma que os mediadores ainda não começaram oficialmente a discutir a questão com ele. 

Gaza será governada por um comitê de transição de tecnocratas palestinos apolíticos. Porém, a composição desse órgão ainda não foi acordada. 

O grupo palestino aceitou a formação desse órgão, mas afirma que teria um papel na sua aprovação. 

Novas retiradas israelenses ainda não foram acertadas e dependerão, em parte, da avaliação do próprio Israel sobre o grau de ameaça que o Hamas ainda representa. 

O grupo afirma que a guerra só terminará quando Israel se retirar totalmente.