Itamaraty avalia situação de estabilidade na Venezuela no momento

Ministério das Relações Exteriores ressalta que posição brasileira continua a mesma, mas que é natural que Delcy Rodríguez tenha diálogo mais próximo com os EUA

Anna Júlia Lopes, da CNN Brasil, Brasília
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O Ministério das Relações Exteriores brasileiro avalia que a situação na Venezuela é de estabilidade no momento. Para o Itamaraty, é natural que o novo governo chefiado pela presidente interina, Delcy Rodríguez, mantenha um diálogo mais próximo com os Estados Unidos.

A Venezuela está sob tutela da Casa Branca desde que os Estados Unidos realizaram, em 3 de janeiro, uma operação capturou o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.

A posição do Brasil acerca da situação, no entanto, se mantém a mesma. Tanto na reunião do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) quanto no encontro do Conselho Permanente da OEA (Organização dos Estados Americanos), o Brasil condenou a operação militar norte-americana.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participará, na quarta-feira (28), do Foro Econômico Internacional da América Latina e Caribe, no Panamá.

A pasta vê como natural que o tema acerca da Venezuela seja abordado durante a visita de Lula. Presidentes de outros países da América Latina e do Caribe como Equador, Bolívia, Chile, Guatemala e Jamaica, também já têm presença confirmada.

No entanto, a situação do país vizinho não será o ponto central da visita. Embora o chefe do Executivo brasileiro deva realizar um discurso durante a sua participação no foro, ele não deve mencionar o país venezuelano, focando na integração econômica e comercial da região.

Na última semana, Lula conversou por telefone com o presidente do Panamá, José Raúl Mulino, quando trataram da questão venezuelana. De acordo com o Planalto, os dois concordaram quanto à "necessidade de preservar a paz e a estabilidade" na região.

Viagem ao Panamá

Segundo o Itamaraty, Lula deve chegar ao Panamá no final da tarde de terça-feira (27) e volta no dia seguinte, quarta-feira (28), para o Brasil, ao final das atividades.

No evento, o petista participará da abertura do Foro, onde será o segundo a discursar. É esperado ainda que converse com Raúl Mulino. Também há a possibilidade de o chefe do Executivo brasileiro ter reuniões bilaterais com os demais presidentes.

O encontro terá como foco o desenvolvimento econômico da América Latina e do Caribe. Os líderes devem tratar de temas centrais da região, como perspectivas econômicas e o papel do setor privado.

Também há a expectativa da assinatura de um acordo de facilitação de investimentos entre Panamá e Brasil, com o objetivo de estabelecer regras e facilitar a circulação de capital e investimento produtivo nos dois países.

O evento é comumente chamado de “Davos Latino-Americana”, em referência ao Fórum Econômico de Davos, que reuniu lideranças políticas e econômicas mundiais nesta semana, na Suíça.

Lula não foi ao evento por ter optado prestigiar o Foro. Para o ministério, o encontro no Panamá não é uma "alternativa" à Davos, mas uma "complementação importante".