Jana Nelson: EUA focam em convencer México a permitir ataques em território
Ao WW, a ex-subsecretária de Defesa para a América Latina dos EUA Jana Nelson afirma que convencer o México é o "grande prêmio" que o Pentágono busca com sua estratégia na América Latina
O objetivo político central dos Estados Unidos na América Latina é convencer o México a autorizar ataques militares em seu próprio território. A afirmação é de Jana Nelson, que ocupou o cargo de subsecretária de Defesa para a América Latina nos EUA, ao WW.
Segundo Jana Nelson, países como Equador, Colômbia, Jamaica, Guatemala e Honduras já aceitaram a realização de operações militares americanas em seus territórios.
"O objetivo político dessa negociação que eles estão tendo com esses vários países para que esses países autorizem os ataques em seu território nacional é convencer, eventualmente, o México de permitir que esses ataques também ocorram no seu território. Esse é, digamos, o grande prêmio que o Pentágono está buscando", afirmou.
Ataques de drones e histórico de erros
A modalidade de ataque mais provável, de acordo com Jana Nelson, seria por meio de drones. "Seriam ataques certeiros, seriam alvos identificados", explicou. No entanto, ela ressaltou que a administração atual tem apresentado um histórico problemático nesse tipo de operação.
"Infelizmente, essa administração tem tido um péssimo recorde em acertar os alvos", declarou, citando como exemplo o caso dos pescadores no Equador, cujos ataques levaram quase seis meses para ter a responsabilidade atribuída.
De acordo com o Washington Post, a autoria foi da agência de inteligência americana, e ninguém queria assumir a responsabilidade por ter "essencialmente matado pessoas inocentes", segundo Jana Nelson.
Coalizão e ambivalência americana
O analista de Internacional da CNN Lourival Sant'Anna apontou que os EUA formaram uma coalizão de 19 países no âmbito do combate ao narcotráfico nas Américas, dos quais 17 são governados pela direita e dois pela centro-esquerda — Guatemala e Bahamas.
Ele destacou ainda que o México, governado por Claudia Sheinbaum, não aceita a possibilidade de ataques em seu território, assim como a Colômbia não aceitava quando era governada por Gustavo Petro.
"Agora, a Colômbia mudou de governo e o novo governo aceita essa intervenção", observou.
Além disso, foram mencionados ataques realizados no Caribe contra embarcações venezuelanas, colombianas e equatorianas em águas internacionais, sem autorização dos respectivos governos, que já teriam resultado em cerca de 200 mortes.
"Essa combinação de declarações ambivalentes, ataques contra barcos em águas internacionais não autorizados, não com a cooperação desses países, é que dá um certo receio de para onde vai progredir essa política", concluiu.



