Japão declara estado de emergência em Tóquio por aumento de casos de Covid-19

Medida também valerá nas cidades de Chiba, Saitama e Kanagawa até 8 de fevereiro após país registrar maior número de infecções desde início da pandemia

Helen Regan e Junko Ogura, da CNN

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O primeiro-ministro do Japão, Yoshihide Suga, declarou estado de emergência para a capital do país, Tóquio, e áreas ao seu redor, em razão do aumento de casos do novo coronavírus – que atingiram os níveis mais altos desde o início da pandemia.

O estado de emergência estará em vigor de sexta-feira (8) até 2 de fevereiro e se aplica a Tóquio e às três prefeituras vizinhas de Chiba, Saitama e Kanagawa.

Suga foi criticado pelo que foi considerado uma relutância em tomar medidas para combater a propagação do vírus, depois que o prefeito de Tóquio e as três cidades vizinhas o instaram a emitir uma declaração de emergência durante uma entrevista coletiva televisionada na semana passada.

O primeiro estado de emergência no Japão, declarado no início da pandemia, durou mais de um mês e forçou escolas e empresas não essenciais a fecharem. Suga deve realizar uma entrevista coletiva nesta quinta-feira (7) para detalhar as novas medidas.

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O estado de emergência foi decidido depois de os novos casos de Covid-19 e hospitalizações em Tóquio e no resto do país atingirem seus níveis mais altos.

Na quarta-feira, o Japão registrou 5.953 novas infecções por Covid-19 – seu maior número de casos diários e a primeira vez que as infecções ultrapassaram a marca de 5 mil – e 72 mortes. O total nacional de casos subiu para 259.105, com pelo menos 3.804 mortes.

A região da grande Tóquio está entre as mais atingidas, ultrapassando 2.000 casos diários na quinta-feira (7) pela primeira vez, com um recorde de 2.447 novas infecções, de acordo com dados atualizados do governo metropolitano de Tóquio.

O número de pacientes internados em estado grave com Covid-19 também continua a aumentar. Na capital, havia 121 pacientes em estado grave na quinta-feira, com mais de 3.000 recebendo atendimento médico no hospital.

Em todo o país, o número de pessoas em estado grave aumentou na quarta-feira para 784, com 41.054 pessoas hospitalizadas.

Em uma reunião com o ministério da saúde do Japão na quarta-feira (6), especialistas em doenças infecciosas pediram medidas imediatas e rígidas para combater a pandemia.

Japão inaugura centro de testagem para Covid-19 em aeroporto
Japão inaugura em novembro centro de testagem para Covid-19 em aeroporto
Foto: Reprodução/CNN (02.nov.2020)

“Olhando para o número de pessoas infectadas na semana passada, Tóquio sozinha responde por um quarto do total nacional. O número total na área metropolitana, incluindo três outras prefeituras, representa metade do número total de todo o país. É difícil controlar a disseminação nas áreas rurais, a menos que possamos conter a propagação do vírus na área metropolitana imediatamente”, disse Takaji Wakita, chefe do Instituto Nacional de Doenças Infecciosas, após a reunião.

Outros disseram que o estado de emergência, que não deve ser tão rigoroso quanto o primeiro, não seria suficiente para conter a taxa de infecção até o final do mês.

“Prevejo que o período não é suficiente para conter o aumento de infecções, precisamos reduzir mais o contato humano”, disse Satoshi Kamayachi, médico e um dos membros do conselho consultivo de especialistas, falando à TV Asahi, afiliada da CNN.

Hiroshi Nishiura, professor da Universidade de Kyoto especializado em modelagem matemática para doenças infecciosas, disse no encontro que uma declaração de emergência precisaria durar dois meses para que o número diário de novas infecções caísse a níveis controláveis.

O Japão confirmou seus primeiros casos da nova variante do coronavírus potencialmente mais infecciosa, há duas semanas, levando o governo a proibir todos os viajantes estrangeiros de entrar no país.

Mas os casos em todo o país estão aumentando desde o início de novembro graças, em parte, ao clima frio do inverno e ao cansaço do distanciamento social.

Suga rejeitou pedidos para declarar estado de emergência em novembro, citando o conselho de um painel consultivo de que os hospitais ainda estavam relativamente vazios. No entanto, a contagem total de casos do Japão mais do que dobrou desde então.

Efeitos nas Olimpíadas

As autoridades japonesas estão receosas de introduzir um bloqueio ou outras medidas de emergência por medo de prejudicar a economia. O país também enfrenta, mais uma vez, decisões difíceis em torno dos Jogos Olímpicos, que deveriam ocorrer no ano passado, mas foram adiados devido à propagação da pandemia pelo mundo.

As Olimpíadas de Tóquio estão programadas para acontecer de 23 de julho a 8 de agosto, de acordo com o Comitê Olímpico Internacional, com cerimônias de abertura e encerramento reduzidas, de acordo com uma “simplificação geral dos Jogos”.

Na quinta-feira (7), o governo metropolitano de Tóquio disse que iria adiar as próximas exibições da tocha das Olimpíadas de Tóquio “para reduzir o fluxo de pessoas e evitar a disseminação do Covid-19”. A tocha esteve em exibição em vários municípios em novembro e o processo deveria ser reiniciado esta semana.

O Japão foi um dos primeiros países atingidos pela pandemia, mas o governo conseguiu manter os casos sob controle por meio de controles rigorosos nas fronteiras, investindo no rastreamento de contatos e forçando seus cidadãos a praticar o distanciamento social. Os esforços foram bem-sucedidos, com o Japão sendo capaz de evitar o tipo de bloqueio estrito decretado em outras partes do mundo.

As autoridades de saúde japonesas continuamente pediram que os cidadãos reduzam suas atividades diárias, permanecer vigilantes, mas isso já não parece ser suficiente para impedir a propagação da pandemia.

“A resposta do Japão é muito lenta e confusa, o que reflete a falta de liderança e estratégia. Por um lado, eles incentivaram as viagens domésticas e refeições fora de casa. Por outro, pedem às pessoas que tomem cuidado”, disse Kenji Shibuya, diretor do Instituto de Saúde da População no King’s College London. 

“O governo está basicamente pedindo às pessoas voluntariamente que se comportem de maneira adequada, mas não faz mais do que isso.”

(Texto traduzido; leia o original em inglês)

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