Javelin, o míssil antitanque que se tornou símbolo da ajuda ocidental à Ucrânia

Armamento ganhou tamanha popularidade que recém-nascidos ucranianos estão sendo nomeados como Javelin

Javelin, o míssil antitanque que se tornou no símbolo da ajuda ocidental à Ucrânia
Javelin, o míssil antitanque que se tornou no símbolo da ajuda ocidental à Ucrânia Michael Ciaglo/Getty Images

Nuno Mandeiroda CNN

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Já se passaram mais de 70 dias desde que as tropas russas iniciaram o que dizem ser uma “operação militar especial” na Ucrânia e se, em 24 de fevereiro, poucos eram os que acreditavam que Kiev pudesse resistir ao poderio bélico russo, a verdade é que não só conseguiu, como também ainda não deixou cair a resistência no Donbass, mais precisamente na siderúrgica Azovstal.

Sem deixarem de sublinhar o empenho e a bravura dos militares às ordens do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, os analistas militares parecem convergir num ponto: sem o apoio de armamento do Ocidente, a guerra teria tido outro rumo.

Exemplo disso mesmo são os mísseis Javelin, equipamento norte-americano, capaz de inutilizar um tanque em até quatro quilômetros de distância.

A imagem de uma santa que carrega um Javelin ao ombro tem vindo a ganhar popularidade entre a resistência, de tal forma que há recém-nascidos ucranianos sendo nomeados como Javelin.

Desde a invasão, só dos Estados Unidos, a Ucrânia já recebeu cerca de 5.500 unidades do míssil.

Na última terça-feira (3), o próprio presidente norte-americano enalteceu a capacidade do míssil nacional, durante a visita a uma das fábricas que produzem os Javelin. Joe Biden aproveitou ainda o momento para brincar com o fato de recém-nascidos com o nome do armamento.

Este míssil tem sido importante para travar a ofensiva russa no final de fevereiro e início de março rumo a Kiev em cidades como Moschun, nos arredores da capital, como comprovou o enviado-especial da CNN Internacional Matt Rivers junto dos soldados da resistência ucraniana.

Também em entrevista ao El País, Siemon Wezeman, especialista em comércio de armas do Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo, explica que “essa é uma arma muito eficaz, projetada para atacar a torreta – parte de cima de um tanque -, que geralmente é a área menos protegida”.

Eficácia que é ainda maior quando do outro lado estão os tanques russos.

“A eficácia aumenta, neste caso, porque armazenam toda a munição na torreta ou logo abaixo, com muito pouca proteção, ao contrário dos tanques europeus ou norte-americanos.”

O Javelin tem ainda mais uma particularidade que o tornou altamente útil para o exército ucraniano, pois “é um míssil antitanque equipado com um sistema que não necessita ser teleguiado para atingir o alvo”, o que torna possível ao atirador abrigar-se após efetuar o disparo, explica ainda Siemon Wezeman.

No entanto, nos Estados Unidos começam a soar alarmes, como denunciou o senador democrata norte-americano Richard Blumenthal, sobre as reservas de mísseis antitanque e antiaéreos. “O armário está vazio”, disse.

De acordo com fontes norte-americanas citadas pela CNN Internacional, cerca de um terço dos Javelin e um quarto do inventário dos Stinger foram já enviados para a Ucrânia como parte dos oito pacotes de ajuda bélica.

O Pentágono, por seu lado, garante que os oito pacotes de ajuda à Ucrânia não prejudicaram a prontidão da Defesa norte-americana.

Este conteúdo foi criado originalmente em português (pt).

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