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    “Jill, o que aconteceu?”: como Joe Biden reagiu ao 11 de Setembro há 20 anos

    Então senador, Biden queria que o Congresso continuasse com a sessão plenária e aconselhou George W. Bush a voltar à capital do país

    Torres do World Trade Center após ataques
    Torres do World Trade Center após ataques Getty Images

    Kate Sullivanda CNN

    O senador Joe Biden estava ao telefone com sua esposa durante seu trajeto matinal de Delaware para Washington D.C. quando o segundo avião atingiu o World Trade Center.

    – Meu Deus, meu Deus. Oh, meu Deus.

    – Jill, o que aconteceu?

    – Outro avião… a outra torre.

    Biden, então presidente do Comitê de Relações Exteriores do Senado, estava no trem das 8:35 da manhã de Wilmington para Washington – onde estava na maioria das manhãs – em 11 de Setembro de 2001, quando dois aviões colidiram contra as torres gêmeas do World Trade Center em Nova York.

    O agora presidente Biden, no sábado, irá marcar as duas décadas desde os ataques terroristas visitando os três locais onde os aviões sequestrados foram jogados – o monumento Ground Zero, em Nova York; Shanksville, Pensilvânia; e o Pentágono, em Arlington, Virgínia.

    Em suas memórias, “Promises to Keep: On Life and Politics”, Biden descreve como ele procurou projetar força e unidade para um público americano abalado naquele fatídico dia.

    Ele também conta sobre a entrega de uma mensagem ao então presidente George W. Bush, cuja guerra no Afeganistão – iniciada após os ataques – terminaria mais tarde com uma retirada caótica e sangrenta que abalou fortemente o governo Biden.

    Quando ele desceu do trem na Union Station, Biden disse ter visto uma névoa marrom de fumaça no céu acima da cúpula do Capitólio. Um terceiro avião tinha acabado de atingir o Pentágono.

    Ele se dirigiu ao Capitólio, que estava sendo evacuado juntamente com todos os edifícios de escritórios da Câmara e do Senado.

    O então senador insistiu, em uma discussão com a filha – que o ligou para implorar que deixasse Washington –, que o Capitólio era o lugar mais seguro para se estar, mesmo quando as pessoas pensavam que outro avião estava indo para o prédio e os líderes do Congresso haviam sido levados de helicóptero para um bunker.

    “Droga, eu quero entrar”, disse ele a um policial depois de marchar pelas escadas do Capitólio e tentar entrar no prédio. O policial recusou-se a permitir que ele passasse. Como ele relatou em suas memórias, Biden achou importante “mostrar ao país que ainda estávamos trabalhando”.

    Linda Douglass, que era repórter do ABC News na época, disse que viu Biden e o então senador republicano John Warner da Virgínia discutindo “quem tinha maior autoridade no momento, porque Biden queria que o Congresso fosse chamado de volta à sessão”.

    “Ele realmente sentiu que era importante para o governo voltar ao trabalho”, disse Douglass em uma entrevista à CNN.

    Biden concordou em aparecer no ABC News e seguiu Douglass por alguns quarteirões até onde eles tinham sua câmera instalada.

    Prédios do World Trade Center após serem atingidos por aviões tomados por terroristas / Mark Yokoyama/Flickr

    Douglass disse que quando entrevistou Biden, Bush estava no Air Force One, o então vice-presidente Dick Cheney estava em um bunker e os líderes do Congresso também tinham sido levados para um lugar seguro.

    “Era extremamente importante para o país ouvir algo de uma figura sênior do governo”, disse Douglass.

    De acordo com uma transcrição da transmissão, Biden disse que os Estados Unidos localizariam os responsáveis pelos ataques e, enquanto isso, instou o público a ser “calmo e frio e recolhido”.

    “O terrorismo vence quando, de fato, eles alteram nossas liberdades civis ou encerram nossas instituições”, disse Biden. “Temos que demonstrar que nenhuma dessas coisas aconteceu”.

    Ele acrescentou: “Esta nação é muito grande, muito forte, muito unida, muito poderosa em termos de nossa coesão e de nossos valores para deixar que isto nos separe. E isso não vai acontecer”.

    O ex-repórter da Filadélfia Bob Brady, amigo de longa data de Biden, esteve com o então senador durante grande parte daquele dia.

    Ele disse que estava dando carona a Biden e ao irmão do senador, Jim, quando o presidente Bush ligou do Air Force One para agradecer a Biden pelos comentários que ele fez na televisão.

    “Era importante mostrar ao povo americano que agora todos estavam seguros e que estávamos todos juntos nisto. Havia os democratas, os republicanos, e nós íamos apoiar totalmente o presidente. E essa é a mensagem que Joe enviou, e foi por isso que o presidente ligou”, contou Brady em entrevista à CNN.

    Durante essa chamada, Brady disse que Biden instou Bush a voltar para a capital do país. “Sr. Presidente”, disse Biden a Bush, “volte a Washington”.

    “Você não quer que o povo veja nosso líder entrar em um bunker. Tire-o de lá, coloque-o de volta na Casa Branca”, lembra Brady. “E ele o fez, para seu crédito, ele o fez”.

    Biden escreveu sobre a chamada com Bush em seu livro, dizendo que Bush lhe disse que ele estava indo para um local não revelado no Oeste porque a inteligência o tinha aconselhado a não voltar a DC.

    “Eu lembrei na época de uma história sobre o líder da resistência francesa, Charles de Gaulle, perto do fim da Segunda Guerra Mundial. Quando a França foi libertada, houve um desfile comemorativo pelos Campos Elísios em Paris – dignitários, generais e oficiais – liderado pelo próprio Gaulle. Enquanto caminhavam em direção ao Hotel de Ville, havia tiros de comemoração, todos batiam no chão, exceto o de Gaulle. Ele continuou caminhando em linha reta”, escreveu Biden.

    Depois de dizer a Bush que ele deveria voltar, Biden escreveu: “Desliguei o telefone e houve silêncio na van, até que Jimmy falou”.

    Biden escreveu que seu irmão lhe disse: “Seja lá qual funcionário sugeriu para Bush te ligar, ele acabou de ser demitido”.

    CNN terá programação especial dos 20 anos do atentado

    CNN Brasil terá uma programação especial no sábado, 11/09, ao vivo, a partir das 8h. Em transmissão simultânea com a CNN Americana e com correspondentes espalhados pelos Estados Unidos, serão exibidas todas as homenagens às vítimas do atentado que completa 20 anos.

    Comandada pelo time de âncoras da CNN, a cobertura especial trará também convidados que irão analisar o contexto histórico, os desdobramentos e histórias de quem acompanhou o horror de perto.

    Antes, na sexta-feira, dia 10, às 22h30, o CNN Nosso Mundo recebe Leandro Karnal, que traz um panorama do quanto esse fato mudou, não só os Estados Unidos, mas o mundo.