Joias roubadas do Louvre ainda estão desaparecidas, dizem autoridades

Procuradora de Paris, Laure Beccuau, disse que dois homens detidos são suspeitos de terem invadido o museu por uma janela do andar superior, enquanto dois cúmplices esperavam na rua

Alessandro Parodi, da Reuters, em Paris
Policiais franceses isolam a entrada do Museu do Louvre após o roubo das joias.
Policiais franceses isolam a entrada do Museu do Louvre após o roubo das joias.  • Kiran Ridley/Getty Images
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As joias roubadas do Museu do Louvre seguem desaparecidas, apesar de dois homens suspeitos terem admitido envolvimento no crime, disse a promotoria de Paris nesta quarta-feira (29).

Quatro ladrões encapuzados fugiram com as joias após invadirem a galeria Apolo do Louvre, onde estão guardadas as Joias da Coroa Francesa, durante o horário de funcionamento na manhã de 19 de outubro, expondo falhas de segurança no museu mais visitado do mundo.

A procuradora de Paris, Laure Beccuau, disse que os dois homens detidos são suspeitos de terem invadido o museu por uma janela do andar superior, enquanto dois cúmplices esperavam na rua.

"Ambos admitiram parcialmente seu envolvimento aos investigadores", disse ela em uma coletiva de imprensa.

"Não descartamos a possibilidade de um grupo maior, incluindo uma pessoa que encomendou o roubo e que pode ter sido o destinatário pretendido das joias roubadas", acrescentou Beccuau.

Não há, nesta fase da investigação, qualquer indício de que o assalto tenha sido um crime interno, afirmou ela.

"As joias ainda não estão em nossa posse. Mas quero manter a esperança de que sejam encontradas e devolvidas ao Museu do Louvre", completou.

Acusações de roubo organizado

Os dois homens detidos foram presos no sábado após serem identificados por meio de vestígios de DNA deixados no local do crime.

Um deles, um argelino desempregado de 34 anos que vivia na França desde 2010, foi detido pela polícia quando tentava embarcar em um voo para a Argélia. O outro homem, de 39 anos, já estava sob custódia judicial por um caso de furto qualificado, disse Beccuau.

Ambos os homens moram em Aubervilliers, um bairro de baixa renda nos subúrbios carentes do norte de Paris.

Beccuau afirmou que os investigadores pediriam aos magistrados que os dois homens fossem formalmente indiciados por suspeita de múltiplos crimes de roubo organizado.

Na França, ser formalmente indiciado não implica culpa nem necessariamente leva a um julgamento, mas demonstra que as autoridades judiciais consideram haver provas suficientes para prosseguir com uma investigação preliminar.

FOTOS - Joias roubadas do Louvre: veja o que os ladrões levaram do museu

Os ladrões roubaram oito peças preciosas, avaliadas em cerca de 102 milhões de dólares, da coleção do Louvre em 19 de outubro, antes de fugirem de motocicleta.

Segundo a promotora, eles usaram um caminhão guindaste roubado em Val-d'Oise, perto de Paris, duas semanas antes do assalto, para acessar uma varanda externa e quebrar uma janela.

As câmeras do museu não detectaram a intrusão com rapidez suficiente para impedir o roubo, que durou entre seis e sete minutos.

Segundo a rádio francesa RTL, as falhas de segurança obrigaram o museu a transferir algumas de suas joias mais preciosas para o Banco da França, sob escolta da polícia secreta.

A notícia do roubo repercutiu em todo o mundo, provocando uma profunda reflexão na França sobre o que alguns consideraram uma humilhação nacional.