Roubo no Louvre: Empresa faz propaganda após ter elevador usado no crime

Em uma publicação no Instagram, a Böcker lançou uma nova campanha publicitária ressaltando a agilidade de seus equipamentos

Lianne Kolirin e Sophie Tanno, da CNN
Alexander Böcker, CEO da fabricante alemã de guindastes Böcker Operating Cranes, posa em frente a um guindaste semelhante ao aparentemente usado no assalto  • Erol Dogrudogan/Reuters via CNN Newsource
Compartilhar matéria

Enquanto autoridades da França continuam investigando como ladrões conseguiram entrar no Museu do Louvre e roubar joias em plena luz do dia, uma empresa alemã está aproveitando o momento e garantindo seus 15 minutos de fama.

A Böcker, empresa que fabricou o elevador de móveis usado no roubo bilionário, recorreu às redes sociais para uma ação de publicidade.

Em uma publicação irônica no Instagram, a empresa, sediada em Werne, noroeste da Alemanha, publicou uma imagem da cena após o incidente com a legenda:

"Da próxima vez que você precisar que as coisas andem rápido, o Böcker Agilo transporta seus tesouros de até 400 kg a 42 metros por minuto – silenciosamente graças ao motor elétrico de 230 V", dizia a postagem.

• Redes sociais
• Redes sociais

Roubo de joias

Os ladrões não identificados, que continuam foragidos, roubaram joias históricas avaliadas em mais de US$ 100 milhões após invadirem o mundialmente famoso museu parisiense em plena luz do dia na manhã de domingo, quando o museu já estava aberto à visitação.

 

Imagens de vídeo parecem mostrar que eles entraram por uma sacada do segundo andar, após obterem acesso com um caminhão equipado com elevador.

Alexander Böcker, diretor administrativo da empresa alemã e proprietário de terceira geração, disse à CNN em um comunicado que ele e sua esposa ficaram "chocados" quando viram a notícia pela primeira vez no domingo e perceberam que um elevador da empresa havia sido "usado indevidamente para esse roubo".

Então, quando ficou claro que ninguém havia se ferido, o espírito empreendedor do empresário entrou em ação.

"Passado o choque inicial, o humor tomou conta", disse ele no comunicado. "Brincamos um pouco, nos divertimos e criamos alguns slogans iniciais."

O feedback à postagem da empresa, publicada na segunda-feira (20), foi “esmagador” e, em sua maioria, positivo, de acordo com Böcker.

Em entrevista à Reuters, ele disse: “Felizmente para nós, a maioria das pessoas entendeu a piada e sabe que não estamos envolvidos no roubo. Ficamos muito satisfeitos com a reação até agora”.

A diretora do Louvre, Laurence des Cars, disse em uma audiência do comitê do Senado francês que o antigo sistema de câmeras do museu não cobria a sacada leste da Galeria Apollo, por onde os ladrões entraram.

Des Cars disse na audiência que a "infraestrutura técnica absolutamente obsoleta, até mesmo inexistente" para monitorar os tesouros mais valiosos do país era uma "observação terrível" para o maior museu do mundo.

Ela disse que havia oferecido sua renúncia à Ministra da Cultura, Rachida Dati, após o roubo, mas que o pedido foi rejeitado.

De acordo com empresa, o Agilo é usado principalmente na construção civil e para transportar mercadorias pesadas durante mudanças, e não foi projetado para transportar pessoas.

O modelo específico usado no roubo foi vendido a um cliente na região metropolitana de Paris, que o aluga, segundo o depoimento de Böcker.

Mas aparentemente foi roubado do proprietário durante uma demonstração para um possível cliente. “Parece que as letras da empresa foram removidas e as placas substituídas”, acrescentou a empresa.