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    Jornalista que teve viagem no submarino Titan cancelada em maio relembra problemas: “Quase um desastre”

    Americano Arnie Weissmann passou suas impressões ao bilionário britânico Hamish Harding, que morreu na expedição fatal do Titan: "Explorador experiente, ele não parecia muito preocupado"

    Léo Lopesda CNN em São Paulo

    O americano Arnie Weissmann chegou a embarcar em uma expedição da OceanGate em maio deste ano, mas o mergulho no submersível Titan aos destroços do Titanic foi cancelado quando já estavam em alto-mar devido ao mau tempo, como vento forte, ondas e nevoeiro.

    Weissmann, que é editor-chefe do site de viagens Travel Weekly, relatou em um artigo os problemas que chamaram sua atenção enquanto ainda estava a bordo do navio de apoio Polar Prince, que transporta o Titan.

    Ele relembra que nas manhãs anteriores à tentativa de mergulho, o CEO da OceanGate, Stockton Rush, que morreu na fatalidade da implosão, compartilhava “uma longa lista de tarefas com todos”.

    “Se um reparo fosse complexo, Rush dizia às pessoas que trabalhavam nele para fazer um “stopski” por cinco minutos ao terminar. Isso significava que, antes de concluir a tarefa, deveriam fazer uma pausa de cinco minutos e pensar em tudo que fizeram, certificando que foi feito corretamente e que nada foi esquecido”, escreveu Weissmann.

    Ele relembra que o CEO da OceanGate também explicou como as ondas altas eram um problema para a expedição do submarino, porque os tripulantes do submersível chegam à plataforma de lançamento do Titan em um bote inflável, que pode virar se o mar estiver muito agitado.

    “No quarto dia da missão, quando o mar estava mais agitado e o nevoeiro mais espesso, quase aconteceu um desastre para o submarino e a plataforma: na ponta da corda que ligava a popa do navio à plataforma, vimos que a frente da plataforma e o submarino estavam debaixo d’água”, relatou Weissmann.

    O editor do Travel Weekly explicou que a solução de improviso tomada foi deslizar uma boia pela corda de reboque até a ponta da plataforma para reerguê-la.

    “Rush e dois outros mergulhadores entraram em um bote e chegaram à popa do navio, onde dois grandes sacos de flutuação amarelos foram jogados para aumentar a sustentação”, acrescentou.

    Durante a viagem, Rush relatou preocupação com a possibilidade de equipamentos de pesca comercial perdidos, como boias ou redes, que poderiam afetar o percurso do submersível.

    “Se uma rede abandonada por acaso for posicionada acima do submersível enquanto ele sobe, ela pode mantê-lo submerso e não há muito que o submarino possa fazer para se libertar”, escreveu Weissmann.

    No sexto dia em alto-mar, a janela meteorológica para o mergulho oficialmente se fechou e a viagem aos destroços do Titanic foi cancelada.

    Weissmann alertou bilionário que morreu em expedição

    Em seu artigo, o jornalista ainda relata como, após retornar da expedição cancelada, ele passou suas impressões ao bilionário britânico Hamish Harding, que morreu na expedição fatal do Titan.

    “Eu disse a ele francamente. Ele ergueu as sobrancelhas. Eu disse que achava que muitos dos problemas com meu mergulho cancelado podem ter surgido porque esta era a primeira temporada em que o Titan estava sendo rebocado por seu navio de apoio, em vez de ser mantido em seu convés”, escreveu.

    “Eu disse que achava que o submarino e a plataforma estavam sendo jogados de um lado para o outro diariamente. Mas, um explorador experiente, Harding não parecia muito preocupado”, completou.