Jovens europeus se preocupam mais com clima do que com a pandemia, diz pesquisa

Pesquisa encomendada por grupo de jovens ativistas apresenta as mudanças climáticas, pobreza e pandemia como os temas mais importantes para a juventude europeia

Jovens ambientalistas de mãos dadas em defesa do clima na COP25
Jovens ambientalistas de mãos dadas em defesa do clima na COP25 Foto: Suzana Vera/ Reuters

Reuters

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 Os jovens na Europa se preocupam mais com as mudanças climáticas – mesmo em meio a uma pandemia que atingiu a economia global e virou de cabeça para baixo a vida diária em todo o mundo, mostrou uma pesquisa publicada na quarta-feira (21).

Quase metade dos entrevistados na pesquisa realizada com mais de 22 mil jovens, em 23 países europeus, disseram considerar o aquecimento global um dos problemas mais sérios da humanidade.

A degradação ambiental ocupa o segundo lugar na lista das principais preocupações com 44%, seguida da propagação de doenças infecciosas e da pobreza, com 36% cada. Os entrevistados foram solicitados a listar até três questões.

O European Environmental Bureau (EEB), uma rede de grupos ambientalistas que encomendou a pesquisa, disse que os resultados sugerem que os jovens têm visão clara sobre os desafios globais de longo prazo.

 “Em um momento em que o mundo está passando por uma pandemia global e uma crise socioeconômica concomitante, isso é notável”, disse o porta-voz da EEB, Khaled Diab, à Thomson Reuters Foundation em um comunicado por e-mail.

“Esta pesquisa confirma que os movimentos climáticos da juventude, como Fridays for Future, não são movimentos marginais, mas representam a corrente principal da juventude. Políticos e legisladores devem ouvir suas vozes.”

Fridays for Future é um movimento global de greve escolar lançado pela jovem ativista sueca pelo clima, Greta Thunberg. Os jovens ativistas do clima têm lutado para manter o ímpeto sob as restrições da Covid-19, que tornaram impossíveis as marchas nas ruas e milhões de pessoas em 2019.

Embora os jovens tenham assumido papéis de negociadores do clima com poder real em países que vão da Costa Rica à Holanda e Sudão, muitos ainda são deixados de fora de outras decisões importantes, como a forma como os fundos de recuperação da pandemia estão sendo gastos. 

“A pandemia prejudicou a visibilidade dos apelos dos jovens europeus por ações climáticas, não seu apoio, nem sua validade”, disse Manon Dufour, do grupo de reflexão independente sobre mudança climática E3G.

A pesquisa conduzida em grande parte online pela Ipsos, entre outubro e novembro do ano passado, revelou que mais de oito em cada 10 pessoas com idades entre 15 e 35 anos disseram estar bastante, muito ou extremamente preocupadas com as mudanças climáticas.

Apenas 3% dos entrevistados disseram que não estavam nem um pouco preocupados, enquanto 8% disseram não acreditar nas mudanças climáticas.

Os jovens do sul da Europa estão nitidamente mais preocupados do que seus pares em outras partes do continente, com 71% dos espanhóis e 63% dos portugueses dizendo que estão extremamente preocupados, em comparação com 23% na Letônia, de acordo com a pesquisa.

Diab disse que isso não é surpreendente, dado que Espanha e Portugal já sofreram incêndios florestais, ondas de calor paralisantes e secas mais longas, que os cientistas preveem se tornar mais frequentes devido às mudanças climáticas.

No ano passado, seis crianças e jovens portugueses moveram uma ação contra 33 países no Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, alegando que a inércia governamental em relação às alterações climáticas põe em risco o seu futuro.

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