Juiz concede liberdade incondicional a homem que tentou assassinar Reagan

Acordo para acabar com 'rígidas condições de liberdade' de John Hinckley Jr. entrará em vigor em junho; Fundação e Instituto Presidencial Ronald Reagan condena medida

John Hinckley Jr., que tentou assassinar Ronald Reagan em 1981, tem um canal no YouTube em que posta vídeos musicais
John Hinckley Jr., que tentou assassinar Ronald Reagan em 1981, tem um canal no YouTube em que posta vídeos musicais Reprodução/YouTube

Marshall Cohenda CNN

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O Departamento de Justiça dos Estados Unidos chegou a um acordo com John Hinckley Jr., que tentou assassinar o presidente Ronald Reagan em 1981, para libertá-lo das rígidas condições de liberdade sob as quais vive há vários anos.

Hinckley teve alta de um hospital psiquiátrico em 2016 e vive em Williamsburg, na Virgínia, com sua mãe. O acordo garantiria a ele “liberdade incondicional”, sem restrições a seus movimentos ou atividades na Internet, e entrará em vigor em junho, disse seu advogado durante uma audiência na segunda-feira (27).

O juiz distrital dos EUA, Paul Friedman, disse que aprovará o acordo.

“Se ele não tivesse tentado matar o presidente, teria recebido a libertação incondicional há muito, muito, muito tempo”, disse Friedman, acrescentando que “todos estão confortáveis ​​agora” com a libertação incondicional porque Hinckley respondeu positivamente na última década, enquanto suas liberdades foram restauradas.

“Segui a lei, segui as evidências e segui a ciência”, acrescentou Friedman. “Estou muito confortável onde estamos. Acho que provavelmente isso já deveria ter acontecido… Minha cautela, ao dar passos graduais, deve nos dar um grande conforto de que tudo vai ficar bem.”

Hinckley foi considerado inocente por motivo de insanidade e passou quase 30 anos em um hospital psiquiátrico. Com o tempo, ele passou por um extenso tratamento de saúde mental e recebeu permissão dos juízes para visitar sua família.

Friedman deu alta do hospital em 2016 e ele foi morar com sua mãe em Williamsburg. No ano passado, obteve autorização judicial para começar a postar músicas online, com seu próprio nome.

Há um extenso corpo de evidências de psicólogos independentes e especialistas de que a “doença mental de Hinckley está em remissão total, estável e completa, e assim tem sido por mais de três décadas”, disse seu advogado Barry Levine na audiência.

Os médicos concluíram repetidamente que Hinckley não representa um risco para o público e está sinceramente comprometido em continuar sua terapia e tratamento, acrescentou Levine.

Por meio de seu advogado, Hinckley pediu desculpas à família Reagan e às outras vítimas da tentativa de assassinato de 1981, incluindo um policial, um agente do Serviço Secreto e o secretário de imprensa da Casa Branca, James Brady, que ficou parcialmente paralisado.

“Suas desculpas são sinceras e de profundo pesar… Talvez, seja pedir demais por perdão”, completou Levine.

Mais recentemente, Hinckley iniciou um canal no YouTube e posta vídeos de si mesmo tocando violão, cantando covers e canções originais. “Ele é um artista e quer continuar fazendo música”, disse Levine.

“Seu futuro, acreditamos, é brilhante. E espero que outras pessoas com um bom senso de caridade lhe desejem o bem”, disse o defensor.

“Espero que as pessoas vejam isso como uma vitória para a saúde mental. Pessoas que foram devastadas por doenças mentais, com bom suporte e acesso a tratamento, podem realmente se tornar membros produtivos da sociedade.”

Após a audiência, a Fundação e Instituto Presidencial Ronald Reagan, que administra a Biblioteca Reagan, emitiu uma declaração condenando a decisão do juiz e afirmando que, em sua opinião, Hinckley ainda era perigoso.

“[A fundação] está triste ao saber da decisão de libertar incondicionalmente John Hinckley, Jr., o homem responsável pela tentativa de assassinato do presidente Reagan, um ataque que feriu gravemente três outros bravos homens”, disse o comunicado.

“Ao contrário da decisão do juiz, acreditamos que John Hinckley ainda é uma ameaça para os outros e nos opomos veementemente à sua libertação.”

O acordo com Hinckley também ocorre quase um mês depois que Sirhan Sirhan, condenado pelo assassinato do senador Robert F. Kennedy em 1968, foi recomendado para ser beneficiado com liberdade condicional.

Um conselho de liberdade condicional da Califórnia votou a favor da libertação de Sirhan depois que ele passou mais de 50 anos na prisão por assassinar Kennedy, ao avaliar que ele não era mais uma ameaça à segurança pública.

A decisão final de libertar Sirhan caberá ao governador da Califórnia.

Muitos dos filhos de Kennedy se opõem fortemente à sua libertação, embora dois dos filhos de Kennedy tenham falado a favor de Sirhan para o conselho de liberdade condicional.

(Texto traduzido; leia o original em inglês)

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