Juiz dos EUA cogita adiar julgamento de Bannon, ex-assessor de Trump
Ex-funcionário está enfrentando duas acusações de obstrução ao Congresso após se recusar a fornecer testemunhos ou documentos ao comitê que investiga invasão ao Capitólio

Um juiz federal dos Estados Unidos disse nesta terça-feira (19) que considera adiar o julgamento criminal de Steve Bannon, um ex-assessor presidencial de Donald Trump, devido a uma disputa sobre o escopo da defesa a ser apresentada após o réu ter desafiado uma intimação do comitê que investiga o ataque ao Capitólio.
Bannon está enfrentando duas acusações de obstrução ao Congresso depois de se recusar, no ano passado, a fornecer testemunhos ou documentos ao comitê da Câmara dos Deputados, liderado pelos democratas.
O tribunal deveria finalizar a escolha de 12 jurados e dois suplentes de um grupo de 22 pessoas nesta terça, com declarações de abertura da acusação e da defesa.
Esse processo foi adiado porque o juiz distrital Carl Nichols lidou com uma disputa entre os dois lados sobre quais evidências podem ser apresentadas pela defesa no caso.
O juiz negou uma moção dos advogados de Bannon para adiar o início do julgamento em um mês, mas disse que consideraria a possibilidade de um atraso menor — talvez de alguns dias — e ordenou que as partes discutissem as questões durante uma pausa para o almoço.
Nichols já havia decidido que o ex-assessor republicano não poderia alegar que descumpriu a intimação porque acreditava que seus documentos e depoimentos estavam protegidos por uma doutrina legal chamada privilégio executivo, que pode manter certas comunicações presidenciais confidenciais.
O juiz também proibiu Bannon de dizer aos jurados que ele confiava no conselho de seu advogado, que lhe disse que havia razões legais válidas para ele não responder à intimação.
Nichols deixou a porta aberta na semana passada para ex-funcionário de Trump oferecer uma defesa de que ele acreditava que os prazos da intimação eram flexíveis e sujeitos a negociação.
Bannon mudou de rumo este mês e disse querer testemunhar perante uma audiência pública do comitê, quase 10 meses após desafiar a intimação.
Não houve indicação de qualquer plano para que ele o fizesse, já que o comitê provavelmente gostaria que ele testemunhasse primeiro em sessões fechadas para cobrir uma ampla gama de assuntos.
Trump disse a Bannon que estava renunciando a qualquer reivindicação de privilégio executivo.
Os advogados disseram nesta terça que precisam explicar ao júri que o ex-assessor acreditava que o privilégio executivo se aplicava quando ele desafiou o comitê.
Enquanto os jurados em potencial esperavam do lado de fora do tribunal, os advogados e promotores discutiram se as comunicações entre o comitê e os advogados de Bannon poderiam ser apresentadas como prova e, em caso afirmativo, se precisavam ser redigidas porque os documentos fazem referência ao privilégio executivo.


