Juíza rejeita tentativa de Trump de deportar estudante palestino dos EUA
Mohsen Mahdawi, nascido na Cisjordânia, foi preso em abril de 2025 quando chegou no local de uma entrevista referente ao pedido de cidadania americana

Uma juíza de imigração dos Estados Unidos rejeitou os esforços do governo do presidente americano, Donald Trump, para deportar o estudante da Universidade Columbia, Mohsen Mahdawi, que foi preso no ano passado após participar de protestos pró-Palestina.
Os advogados de Mahdawi detalharam a decisão da juíza de imigração em um documento judicial apresentado na terça-feira (17) a um tribunal federal de apelações em Nova York, que estava revisando uma decisão que levou à sua libertação da custódia de imigração em abril.
Este foi o caso mais recente em que uma juíza de imigração rejeitou uma ação movida como parte do esforço mais amplo do governo Trump para deter e deportar estudantes estrangeiros com visões pró-Palestina ou anti-Israel que se envolveram em ativismo no campus.
A juíza de imigração Nina Froes, de Chelmsford, Massachusetts, escreveu na sentença na sexta-feira (13) que o Departamento de Segurança Interna dos EUA não conseguiu comprovar que ele era passível de deportação, o que tentou fazer usando um documento não autenticado assinado pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio.
"Esta decisão é um passo importante para defender o que o medo tentou destruir: o direito de falar pela paz e pela justiça", afirmou Mahdawi em um comunicado.
O governo tem a opção de contestar a decisão do juiz perante o Conselho de Apelações de Imigração, órgão do Departamento de Justiça dos EUA.
Um porta-voz do Departamento de Segurança Interna, em um comunicado, chamou o juiz de "ativista" e falou que "receber um visto ou green card para viver e estudar nos Estados Unidos da América é um privilégio", privilégio esse que pode ser revogado.
Mahdawi, nascido e criado em um campo de refugiados na Cisjordânia, foi preso em abril de 2025 ao chegar para uma entrevista referente ao seu pedido de cidadania americana.
Um juiz ordenou rapidamente ao governo Trump que não o deportasse dos EUA nem o retirasse do estado de Vermont.
Após duas semanas detido, Mahdawi saiu do tribunal federal em Burlington, Vermont, depois que o juiz distrital Geoffrey Crawford ordenou sua libertação.
Em outro caso, um juiz de imigração encerrou, em 29 de janeiro, o processo de deportação iniciado pelo governo contra Rumeysa Ozturk, estudante de doutorado da Universidade Tufts, que foi alvo de perseguição após ser coautora de um editorial que criticava a resposta de sua universidade à guerra de Israel em Gaza.
No mês passado, um juiz federal em Boston decidiu que o governo havia adotado uma política ilegal de detenção e deportação de acadêmicos como Ozturk e Mahdawi, que cerceava a liberdade de expressão de acadêmicos não cidadãos em universidades.
O Departamento de Justiça está recorrendo dessa decisão.


