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    Kim Yo Jong, irmã do líder norte-coreano, é promovida ao principal órgão do país

    Irmã mais nova de Kim Jong Un agora faz parte do Comissão de Assuntos do Estado, principal instância de tomada de decisões do país, informou a mídia estatal

    Kim Yo-jong, irmã do líder norte-coreano Kim Jong-un, em Hanói
    Kim Yo-jong, irmã do líder norte-coreano Kim Jong-un, em Hanói Foto: Jorge Silva - 02.mar.2019 / Reuters

    Jake KwonHelen Reganda CNN

    Kim Yo Jong, a irmã mais nova do líder norte-coreano Kim Jong Un, foi promovida ao principal órgão decisório do país, informou a mídia estatal nesta quinta-feira (30).

    O anúncio, publicado pela agência de notícias estatal da Coreia do Norte KCNA, diz que Kim Yo Jong agora é membro da Comissão de Assuntos do Estado (CAE), órgão governante do país chefiado por seu irmão.

    Kim Yo Jong já era uma das figuras políticas mais importantes do país e uma importante conselheira de seu irmão, mas um assento no CAE é o cargo oficial mais alto que ela já ocupou.

    Outras sete pessoas foram promovidas ao lado dela como parte de uma reformulação do CAE, embora Kim Yo Jong seja a única mulher.

    Nove membros foram aposentados ou rebaixados, incluindo Pak Pong Ju, de 82 anos, o formulador de política econômica de Kim Jong Un na última década.

    Ri Pyong Chol, que dirige o programa de armas da Coreia do Norte e principal comandante militar de Kim Jong Un, foi rebaixado. Seu lugar foi ocupado pelo general militar Pak Jong Chon, que supervisionava o desenvolvimento de novas armas para o país.

    No início desta semana, Pak supervisionou um teste que o país afirmou ser do seu primeiro míssil hipersônico, o que – se for verdade – tem o potencial de ser uma das armas mais rápidas e precisas do mundo, e poderia ser equipado com uma ogiva nuclear, disseram especialistas.

    Retomada da linha de comunicação

    A notícia da promoção de Kim Yo Jong veio depois que Kim Jong Un disse à Assembleia Legislativa do país na quarta-feira (29) que restauraria as linhas de comunicação interrompidas com a Coreia do Sul no início de outubro, informou a KCNA.

    As linhas são consideradas importantes porque podem ajudar a prevenir um confronto militar acidental causado por má interpretação, cálculo incorreto da ação ou intenção do outro lado.

    Em resposta, o governo da Coreia do Sul disse que iniciará os preparativos e espera a “restauração e gestão estável” das comunicações inter-coreanas, de acordo com o Ministério da Unificação.

    A Coreia do Norte cortou as linhas de comunicação em junho do ano passado. Os dois países restauraram a comunicação direta em julho – que foi, novamente, interrompida no mês seguinte.

    Por que a promoção de Kim Yo Jong é significativa?

    A elevação de Kim Yo Jong ao comitê central de tomada de decisão do país parece cimentar oficialmente seu papel na liderança da Coreia do Norte.

    Ela é considerada uma das confidentes mais poderosas e confiáveis ​​de seu irmão. No ano passado, o Serviço Nacional de Inteligência da Coreia do Sul a avaliou como a “segunda em comando de fato” do país – mas seu status oficial sempre foi obscuro.

    Como principal propagandista da Coreia do Norte, Kim Yo Jong foi o rosto da delegação do país nos Jogos Olímpicos de Inverno de 2018, em Pyeongchang, na Coreia do Sul, onde se encontrou com o presidente sul-coreano Moon Jae-In.

    Ela foi creditada por ajudar a estabelecer as bases para a primeira cúpula entre Moon e seu irmão, na qual ela teve um assento à mesa, e estava ao lado de Kim Jong Un em Singapura quando ele se encontrou com o então presidente dos EUA, Donald Trump.

    Em 2020, a agência de espionagem da Coreia do Sul disse aos legisladores que ela havia sido encarregada das relações com o Sul e os Estados Unidos.

    Mais recentemente, como vice-diretora de departamento do Comitê Central do Partido dos Trabalhadores da Coreia, ela fez declarações públicas contundentes sobre as relações inter-coreanas, o novo Biden e defendeu os lançamentos de mísseis da Coreia do Norte.

    Na semana passada, Kim Yo Jong exigiu que o Sul fizesse “a escolha correta” se realmente deseja reconciliação e desenvolvimento nas relações inter-coreanas, incluindo outra cúpula.

    Ela também alertou os EUA e a Coreia do Sul para pararem com sua política “hostil” contra a Coreia do Norte, antes que as discussões possam ser retomadas sobre uma proposta do presidente sul-coreano de declarar o fim da guerra entre o Norte e o Sul.

    Mas a ascensão de Kim Yo Jong ao topo não foi fácil.

    No início deste ano, ela foi removida como membro suplente do poderoso Politburo da Coreia do Norte e rebaixada de “primeira vice-diretora de departamento” a “vice-diretora de departamento”.

    Na época, analistas disseram que seu aparente rebaixamento pode ter mais a ver com o foco de Kim Jong Un em reorganizar o Politburo para incluir mais especialistas econômicos.

    Outros especularam que ela pode ter sido punida pela forma como lidou com o relacionamento inter-coreano no ano passado, quando ordenou que as forças armadas da Coreia do Norte explodissem um escritório de ligação conjunta de US$ 8 milhões na cidade de Kaesong para expressar o descontentamento de Pyongyang com Seul.

    (Texto traduzido; leia o original em inglês)