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    Líder de golpe na Guiné promete governo nacional enquanto políticos são presos

    Militares destituíram o presidente Alpha Conde neste domingo, no terceiro golpe desde abril na África Ocidental e Central

    Presidente deposto de Guiné, Alpha Conde
    Presidente deposto de Guiné, Alpha Conde REUTERS/Tiksa Negeri

    Saliou Sambda Reuters

    em Conarky

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    Os líderes do golpe militar ocorrido na Guiné no final de semana prometeram, nesta segunda-feira (6), estabelecer um governo de transição nacional, depois de destituir o presidente Alpha Conde e dissolver seu gabinete.

    O golpe de domingo, no qual Conde e outros políticos importantes foram detidos ou impedidos de viajar, é o terceiro desde abril na África Ocidental e Central, levantando preocupações sobre um retrocesso ao regime militar em uma região que fez avanços rumo à democracia desde década de 1990.

    A tomada de poder foi amplamente condenada por potências internacionais, que pedem que os novos líderes militares oferecerem um plano para além da derrubada da velha ordem e, também, tranquilizem investidores quanto ao receio de que as exportações de minério da Guiné sejam afetadas.

    “Uma consulta será realizada para definir as diretrizes da transição, e um governo de unidade nacional será estabelecido para liderar esse processo”, disse o ex-oficial e líder golpista Mamady Doumbouya, em uma reunião com ministros de Conde e altos funcionários do governo.

    “Concluída a transição, definiremos o tom para uma nova era de governança e desenvolvimento econômico”, afirmou.

    Doumbouya não disse quais devem ser os resultados da transição implicaria e também não deu uma data para o retorno às eleições democráticas.

    A tomada de poder aconteceu em um momento de descontentamento generalizado com Conde, o ex-presidente de 83 anos.

    Conde prometeu uma democracia estável, mas, uma vez no poder, silenciou violentamente os oponentes, não conseguiu reduzir a pobreza e, no ano passado, decidiu concorrer a um terceiro mandato no poder – o que, para muitos, foi ilegal.

    Reservas de minério preocupam

    O golpe foi comemorado por muitos, mas assustou o setor de mineração. A Guiné detém as maiores reservas de bauxita do mundo, minério utilizado para a produção de alumínio.

    Os preços do metal dispararam para o maior preço em 10 anos nesta segunda-feira, embora não houvesse nenhum sinal de interrupção no fornecimento.

    Políticos presos

    A circulação voltou a ser retomada nesta segunda-feira e algumas lojas reabriram em Kaloum, o principal bairro administrativo da capital Conakry, onde tiroteios pesados foram reportados no domingo.

    Um porta-voz militar disse na televisão que as fronteiras terrestres e aéreas também foram reabertas.

    Ainda assim, a repressão é evidente. Doumbouya proibiu funcionários do governo de deixar o país e ordenou que devolvessem seus veículos oficiais.

    Os políticos que compareceram à reunião desta segunda-feira foram depois escoltados por soldados de boinas vermelhas até a sede do Exército em Conakry.

    Duas fontes diplomáticas afirmaram que o primeiro-ministro Ibrahima Kassory Fofana, o ministro dos assuntos presidenciais Mohamed Diané e o presidente da Assembleia Nacional, Amadou Damaro Camara, foram presos.

    A Anistia Internacional, em um comunicado nesta segunda, pediu aos líderes do golpe que esclareçam a base legal para a detenção de Conde e libertem aqueles que o presidente havia detido arbitrariamente durante a eleição do ano passado.

    (*Colaboraram David Lewis, Helen Reid e Edward McAllister)

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