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    Líder do Irã perdoa “dezenas de milhares” de presos no país, incluindo detidos em protestos

    Aiatolá Ali Khamenei aprovou os perdões em homenagem ao aniversário da revolução islâmica de 1979

    Parisa HafeziTom Perryda Reuters

    em Dubai

    O líder supremo do Irã perdoou “dezenas de milhares” de prisioneiros, incluindo pessoas detidas em recentes protestos contra o governo, informou a agência de notícias estatal IRNA neste domingo (5), depois que uma repressão mortal do Estado ajudou a conter a agitação nacional.

    No entanto, o perdão aprovado pelo aiatolá Ali Khamenei veio com condições, de acordo com detalhes anunciados em reportagens da mídia estatal, que disseram que a medida não se aplicaria a nenhum dos numerosos cidadãos com dupla nacionalidade detidos no Irã.

    A agência de notícias estatal Irna disse que os acusados de “corrupção na Terra” – uma pena capital contra alguns manifestantes, quatro dos quais foram executados – também não serão perdoados.

    Tampouco se aplicaria aos acusados de “espionagem para agências estrangeiras” ou “afiliados a grupos hostis à República Islâmica”, informou a mídia estatal.

    O Irã foi varrido por protestos após a morte de uma jovem curda iraniana, Mahsa Amini, sob custódia da polícia moral do país em setembro passado. Iranianos de todas as classes sociais participaram, marcando um dos mais ousados desafios à República Islâmica desde a revolução de 1979.

    Segundo a agência de notícias ativista HRANA, cerca de 20 mil pessoas foram presas em conexão com os protestos, que as autoridades acusaram os inimigos estrangeiros do Irã de fomentar.

    Grupos de direitos humanos dizem que mais de 500 pessoas foram mortas na repressão, incluindo 70 menores. Pelo menos quatro pessoas foram enforcadas, segundo o judiciário iraniano.

    Em uma carta a Khamenei solicitando o perdão, o chefe do judiciário Gholamhossein Mohseni Ejei disse: “Durante os eventos recentes, várias pessoas, especialmente jovens, cometeram ações e crimes errados como resultado da doutrinação e propaganda do inimigo”.

    Os protestos diminuíram consideravelmente desde o início dos enforcamentos.

    “Desde que os inimigos estrangeiros e os planos das correntes antirrevolucionárias foram frustrados, muitos desses jovens agora se arrependem de suas ações”, escreveu Ejei.

    Khamenei aprovou os perdões em homenagem ao aniversário da revolução islâmica de 1979.

    A medida não se aplicaria àqueles “enfrentando acusações de espionagem para agências estrangeiras, contato direto com agentes estrangeiros, homicídio intencional e ferimentos, (e) destruição e incêndio criminoso de propriedade do Estado”.

    “Naturalmente, aqueles que não expressarem arrependimento por suas atividades e assumirem um compromisso por escrito de não repeti-las não serão perdoados”, disse o vice-chefe do Judiciário, Sadeq Rahimi, informou a mídia estatal.

    O grupo de Direitos Humanos do Irã, com sede na Noruega, disse esta semana que pelo menos 100 manifestantes detidos enfrentaram possíveis sentenças de morte.

    A Anistia Internacional criticou as autoridades iranianas pelo que chamou de “julgamentos simulados destinados a intimidar os participantes do levante popular que abalou o Irã”.

    (Reportagem da redação de Dubai com edição de Toby Chopra e Raissa Kasolowsky)