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    Líderes europeus se manifestam contra envio de bombas de fragmentação dos EUA à Ucrânia

    Bombas de fragmentação são proibidas por mais de 100 países; EUA anunciaram envio de munição aos ucranianos nesta sexta-feira (7)

    Um militar ucraniano segura uma bomba de fragmentação desativada de um míssil MSLR, entre uma exibição de pedaços de foguetes usados ​​pelo exército russo, em 21 de outubro de 2022.
    Um militar ucraniano segura uma bomba de fragmentação desativada de um míssil MSLR, entre uma exibição de pedaços de foguetes usados ​​pelo exército russo, em 21 de outubro de 2022. Clodagh Kilcoyne/Reuters

    Reuters

    Líderes europeus se manifestaram, neste sábado (8), contrários ao envio de bombas de fragmentação à Ucrânia. Os EUA anunciaram, na sexta-feira (7), o envio desse tipo de munição de guerra.

    As bombas de fragmentação são proibidas por mais de 100 países. Elas normalmente explodem liberando um grande número de pequenas bombas, que podem provocar indiscriminadamente mortes em uma ampla área.

    A ministra da Defesa da Espanha, Margarita Robles, disse que as bombas de fragmentação não devem ser enviadas à Ucrânia.

    “A Espanha, com base no firme compromisso que tem na Ucrânia, também tem um firme compromisso de que certas armas e bombas não podem ser entregues sob nenhuma circunstância”, declarou a repórteres durante comício em Madri – o país passará por eleições gerais no próximo dia 23.

    “Não às bombas de fragmentação e sim à defesa legítima da Ucrânia, que entendemos que não deve ser realizada com bombas de fragmentação”, acrescentou.

    Robles disse que a decisão de enviar bombas de fragmentação foi tomada pelo governo dos Estados Unidos, não pela Otan, da qual a Espanha é membro. Há amplo apoio entre os partidos espanhóis para apoiar a Ucrânia e fornecer ajuda militar para a guerra.

    Quem acompanhou a manifestação espanhola foi o primeiro-ministro britânico Rishi Sunak. Neste sábado, ele ressaltou que o Reino Unido é signatário da convenção contrária às bombas de fragmentação e desencoraja seu uso.

    “Continuaremos a fazer nossa parte para apoiar a Ucrânia contra a invasão ilegal e não provocada da Rússia”, declarou a repórteres.

    Primeiro-ministro britânico, Rishi Sunak / 07/06/2023 Niall Carson/Pool via REUTERS

    “Fizemos isso fornecendo tanques de guerra pesados, e, mais recentemente, armas de longo alcance. Espero que todos os países possam continuar a apoiar a Ucrânia. O ato de barbárie da Rússia está causando um sofrimento incalculável a milhões de pessoas. É certo que enfrentemos isso coletivamente e irei para a cúpula da Otan na próxima semana em Vilnius, onde discutiremos exatamente isso com nossos aliados, como podemos fortalecer nosso apoio à Ucrânia”, completou.

    Rússia, Ucrânia e Estados Unidos não assinaram a Convenção sobre Munições Cluster, que proíbe a produção, armazenamento, uso e transferência de bombas de fragmentação.

    EUA confirmam envio de munições de fragmentação para Ucrânia

    Os Estados Unidos confirmaram, nesta sexta-feira (7), a decisão de fornecer munições de fragmentação, também conhecidas como cluster, à Ucrânia.

    O conselheiro de Segurança Nacional, Jake Sullivan, explicou a lógica por trás da decisão dos Estados Unidos de fornecer munições cluster à Ucrânia, dizendo a repórteres na sexta-feira que o governo do presidente Joe Biden adiou a decisão “o máximo possível”, devido aos possíveis riscos para os civis.

    Jake Sullivan defendeu a necessidade de usar as munições de fragmentação na defesa do território ucraniano / Drew Angerer/Getty Images

    Primeiro, Sullivan disse que os EUA baseiam suas decisões de assistência de segurança nas necessidades da Ucrânia no terreno. “A Ucrânia precisa de artilharia para sustentar suas operações ofensivas e defensivas. A artilharia está no centro deste conflito”, explicou.

    “Não deixaremos a Ucrânia indefesa em nenhum momento deste conflito, ponto final”, disse ele.

    Em segundo lugar, ele apontou para o uso de munições cluster pela Rússia desde o início de sua invasão. “A Rússia tem usado munições cluster com altas taxas de insucesso ou falha entre 30% e 40%. Nesse ambiente”, disse Sullivan, observando que as munições cluster dos EUA “forneciam taxas de insucesso muito abaixo do que a Rússia está fornecendo – não superior a 2,5 %” 

    Finalmente, Sullivan disse que os EUA estão trabalhando em estreita colaboração com a Ucrânia em seu pedido de munições cluster, uma vez que exigirá desminagem pós-conflito para proteger os civis contra danos. “Isso será necessário independentemente de os Estados Unidos fornecerem essas munições ou não, devido ao uso generalizado de munições cluster pela Rússia”, disse Sullivan. 

    Embora os Estados Unidos reconheçam que há risco de danos a civis por causa de bombas não detonadas, Sullivan disse que também há um risco enorme se a Rússia tomar “mais território ucraniano e subjugar mais civis ucranianos porque a Ucrânia não tem artilharia suficiente”. 

    “Isso é intolerável para nós. A Ucrânia não usaria essas munições em terras estrangeiras. Este é o país que eles estão defendendo. Esses são os cidadãos que eles estão protegendo. Eles estão motivados a usar qualquer sistema de armas que tenham de uma forma que minimiza os riscos para esses cidadãos”, disse Sullivan. 

    Sullivan não fez um anúncio formal sobre o novo pacote de ajuda militar, que incluiria munições cluster, e disse que viria do Pentágono.