Lula volta a defender mudanças no Conselho de Segurança da ONU
Presidente brasileiro discursou na abertura da Assembleia Geral em Nova York e disse que as Nações Unidas têm falhado na missão de parar as guerras no mundo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva começou seu discurso na 81ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York, acusando o Conselho de Segurança de "insensatez" e que são todos reféns do imobilismo do grupo para conter as guerras.
Ele afirmou que a ONU está falhando em uma de suas principais missões, a de “livrar a humanidade do flagelo da guerra”, e disse que a credibilidade da organização “nunca esteve tão baixa”. Segundo Lula, a capacidade da ONU de proteger os mais vulneráveis também “nunca foi tão pequena”.
“Em 1946, já na primeira sessão desta Assembleia, o Brasil alertava para o alto preço que a comunidade internacional pagaria pelo direito de veto”, disse.
A reforma do Conselho de Segurança é uma das bandeiras da diplomacia brasileira ao lado de países como Alemanha e Japão, que pedem um aumento no número de assentos permanentes. Desde a fundação das Nações Unidas, apenas cinco nações conseguiram alcançar o importante posto: Estados Unidos, Rússia (antiga União Soviética), China, França e Reino Unido, todos detentores de armas nucleares.
Lula afirmou que o atual cenário é marcado pelo maior número de conflitos armados desde a Segunda Guerra Mundial, por trilhões de dólares destinados a uma nova corrida armamentista e pelo risco de confrontos regionais se transformarem em uma guerra de proporções globais. "É a falência total da política”. O presidente defendeu que os líderes dos países que integram o Conselho de Segurança se reúnam e ajam com responsabilidade e urgência.
Ao defender o multilateralismo, Lula afirmou que, em um mundo interdependente, liderar significa conciliar os interesses nacionais com os da humanidade. “Somos chamados a optar entre multilateralismo ou unilateralismo; democracia ou extremismo; soberania ou subordinação.” Segundo Lula, essas escolhas exigem “coragem, vontade política e clareza de objetivos” — o que, afirmou, “é o que se espera de um estadista”.
Antes do presidente Lula falar, o secretário-geral da ONU, António Guterres, admitiu a importância da reforma do Conselho de Segurança da organização, para que ele reflita o mundo de hoje.
“O Conselho de Segurança foi criado no rescaldo da Segunda Guerra Mundial. Mas o mundo mudou fundamentalmente desde então. E essa mudança está longe de ser refletida no Conselho de Segurança", afirmou.
“O exemplo mais impressionante é a África. Quando a ONU foi fundada, a maior parte da África ainda estava sob domínio colonial. Hoje, a África continua sem um assento permanente no conselho. Um Conselho de Segurança do século 21 sem representação permanente da África é injusto e indefensável. Isso precisa mudar", afirmou Guterres.


