Luvas de Michael Jackson vão pagar vacinas contra Covid-19 na Guiné Equatorial

Acessório avaliado em US$ 275.000 faz parte dos bens confiscados do vice-presidente Teodorin Obiang por corrupção

Mais de 76% dos 1,4 milhão de habitantes do país da África Central vivem na pobreza, segundo o Banco Mundial
Mais de 76% dos 1,4 milhão de habitantes do país da África Central vivem na pobreza, segundo o Banco Mundial Yvonne Hemsey/Getty Images

Nimi Princewillda CNN*

Ouvir notícia

Quase US$ 27 milhões apreendidos do vice-presidente da Guiné Equatorial, Teodorin Nguema Obiang Mangue, serão gastos em compras de vacinas contra a Covid-19 para o país, segundo o Departamento de Justiça dos Estados Unidos em um comunicado na segunda-feira (20).

Os bens confiscados incluem veículos de luxo e um par de luvas revestidas de joias usadas por Michael Jackson. O acessório é avaliado em US$ 275.000.

A decisão vem após um acordo de confisco de 2014 entre os EUA eo vice-presidente, que é acusado de adquirir ativos no país com ganhos ilícitos. Obiang, no entanto, contestou as reivindicações.

Desse total, US$ 19,25 milhões serão destinados às Nações Unidas para compra e distribuição das vacinas contra o coronavírus no país centro-africano.

Outros US$ 6,35 milhões serão repassados ​​a uma instituição de caridade com sede nos Estados Unidos “para a compra e distribuição de remédios e suprimentos médicos em toda a Guiné Equatorial”, disse o juiz departamento de Justiça.

Líder foi obrigado a vender mansão

Conforme o acordo entre Obiang e o governo dos Estados Unidos, o líder da Guiné Equatorial “foi obrigado a vender uma mansão em Malibu, Califórnia, que ele comprou por US$ 30 milhões, um automóvel Ferrari e vários itens de colecionador de Michael Jackson, e a contribuir com US$ 1 milhão representando o valor de outra propriedade”, disse o comunicado do departamento.

O acordo também autorizou os EUA a manter US$ 10,3 milhões dos rendimentos confiscados, enquanto os fundos restantes seriam gastos em programas que beneficiam o povo da Guiné Equatorical.

Mais de 76% dos 1,4 milhão de habitantes do país da África Central vivem na pobreza, segundo o Banco Mundial.

“Sempre que possível, os corruptos não poderão reter os benefícios da corrupção”, disse o procurador-geral assistente Kenneth A. Polite Jr., em comunicado.

Corrupção e lavagem de dinheiro

Obiang, de 53 anos, tem sido o centro das atenções em uma repressão global à corrupção e à lavagem de dinheiro com foco na fonte de sua enorme riqueza.

Em julho, um tribunal de apelação francês manteve um veredito de culpado contra Obiang por peculato, uma decisão que poderia abrir caminho para o retorno de milhões de dólares à Guiné Equatorial.

Obiang foi condenado anteriormente na França e recebeu uma pena suspensa de três anos, incluindo uma multa de US$ 35 milhões por comprar propriedades de luxo com fundos ilegais. Seus bens também foram confiscados.

O veredito da corte francesa veio dias depois que a Grã-Bretanha anunciou que impôs sanções a Obiang por apropriação indébita de milhões de dólares, que autoridades disseram ter sido esbanjados em mansões de luxo, jatos particulares e a luva de US$ 275.000 usada por Michael Jackson.

As sanções anunciadas por Londres incluíram congelamento de ativos e proibição de viagens.

Uma coleção de carros de luxo pertencentes a Obiang também foi confiscada pelas autoridades suíças em 2016, após uma investigação de corrupção.

O pai de Obiang, o presidente Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, governou a Guiné Equatorial, rica em petróleo, mas empobrecida, desde que assumiu o poder por meio de um golpe em 1979, onze anos após a independência da Espanha.

(*Esse texto foi traduzido. Leia o original em inglês neste link)

Mais Recentes da CNN