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    Macron pede a Xi Jinping que interceda com Rússia sobre a guerra na Ucrânia

    Presidente chinês se reúne com autoridades europeias nesta quinta-feira (6); encontro pode ser início de nova etapa entre relações diplomáticas

    Michel RoseLaurie Chenda Reuters

    O presidente francês, Emmanuel Macron, pediu nesta quinta-feira (6) ao presidente da China, Xi Jinping, que converse com a Rússia e ajude a pôr fim à guerra na Ucrânia, enquanto os dois realizam a primeira de uma série de reuniões de alto nível em Pequim.

    “A agressão russa na Ucrânia foi um golpe para a estabilidade (internacional)”, disse Macron a Xi, do lado de fora do Grande Salão do Povo antes da reunião. “Sei que posso contar com você para trazer a Rússia de volta à razão e todos de volta à mesa de negociações”, complementou.

    Xi Jinping, por sua vez, afirmou que ambos os países pedem à comunidade internacional que evite uma escalada na crise na Ucrânia. A Europa é um polo independente em um mundo multipolar, e a China apoia sua autonomia estratégica, destacou.

    O líder chinês também ressaltou que espera que as conversas de paz sejam reiniciadas o mais rápido possível e que possa ser encontrada uma solução política e um cenário de segurança na Europa equilibrado, eficaz e sustentável.

    A visita do líder francês ao lado da chefe da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, ocorre após anos de relações delicadas com a China sobre questões como um pacto de investimento paralisado, críticas à transparência sobre a Covid-19 e a relutância do país asiático em condenar a Rússia pela guerra.

    Mas, dirigindo-se à imprensa após sua chegada, na quarta-feira (5), Macron afirmou que a Europa deve resistir a reduzir os laços comerciais e diplomáticos com a China e rejeitar o que alguns consideram uma “espiral inevitável” de tensão entre o país e o Ocidente.

    Von der Leyen tinha reunião com Xi Jinping agendada para mais tarde, antes que os três realizassem conversas trilaterais à noite.

    Macron conversou com o primeiro-ministro Li Qiang antes de se encontrar com Xi para uma cerimônia elaborada fora do Grande Salão, onde os dois líderes testemunharam uma salva de 21 tiros e caminharam lado a lado ao longo de um tapete vermelho, enquanto uma banda de música tocava seus hinos nacionais.

    Em comentários noticiados pela mídia estatal CCTV, Xi Jinping destacou que a China e a França têm a capacidade e a responsabilidade de transcender “diferenças” e “restrições”, à medida que o mundo passa por profundas mudanças históricas.

    “Novo ponto de partida”

    Mais cedo, o primeiro-ministro chinês encontrou com von der Leyen, que, antes de sua primeira viagem à China desde que assumiu o cargo de presidente da Comissão Europeia, em 2019, disse que a Europa deve “reduzir o risco” diplomática e economicamente com o país asiático.

    “Tanto a Europa quanto a China se beneficiaram imensamente com esse relacionamento. No entanto, as relações UE-China se tornaram mais complexas nos últimos anos e é importante discutirmos juntos todos os aspectos de nossas relações hoje”, ponderou von der Leyen antes de se encontrar com Li Qiang.

    A autoridade chinesa observou que a parceria com a União Europeia e a França representa “um novo ponto de partida” e que ambas as partes devem aderir ao “respeito mútuo e à cooperação ganha-ganha”.

    De sua parte, a China está ansiosa para garantir que a Europa não siga o que vê como esforços liderados pelos Estados Unidos para conter sua ascensão, e há pelo menos esperanças de acertar os desentendimentos com a França.

    “Espera-se que a visita de Macron produza resultados concretos na promoção da cooperação econômica e comercial entre a China e a França, bem como no aumento da confiança política mútua”, escreveu o jornal estatal Global Times em um editorial.

    “Vale a pena notar que várias forças na Europa e nos EUA estão prestando muita atenção à visita de Macron e exercendo influência em diferentes direções”, continuou o Global Times. “Em outras palavras, nem todo mundo quer que a visita de Macron à China ocorra sem problemas e com sucesso”, avaliaram.

    Persuasão pela paz

    Tanto Macron quanto von der Leyen disseram que querem persuadir a China a usar sua influência sobre a Rússia para trazer a paz à Ucrânia, ou pelo menos impedir Pequim de apoiar diretamente Moscou no conflito.

    A Rússia chama sua invasão da Ucrânia de “operação militar especial”.

    Alguns analistas sugeriram que essas duas autoridades europeias pode adotar um papel de “policial bom e policial mau”, com Macron promovendo um “reinício” nas relações China-UE e von der Leyen enfatizando as questões mais espinhosas e as linhas vermelhas nessas relações.

    Xi Jinping e o presidente francês trocaram um longo aperto de mão depois que ele saiu de sua limusine do lado de fora do Grande Salão em sua primeira visita à China desde 2019.

    Macron colocou as duas mãos nas de Xi e deu um tapinha amigável nas costas do líder chinês enquanto caminhavam para cumprimentar os membros de cada governo.

    Viajando com uma delegação empresarial de 50 pessoas, incluindo a Airbus AIR.PA, a gigante de luxo LVMH LVMH.PA e a produtora de energia nuclear EDF EDF.PA, o francês também deve anunciar acordos com a China.

    Embora a comunidade empresarial francesa tenha recebido bem as propostas de Macron para a China, nem todos em casa acham que esse é um bom sinal a ser enviado.

    “Três quartos da delegação são líderes empresariais: o objetivo é, antes de tudo, assinar contratos”, escreveu Raphael Glucksmann, membro de esquerda do Parlamento Europeu, no Twitter antes da visita de Macron.

    “Em um momento em que o debate na Europa se concentra em nossa dependência suicida da China e na interferência chinesa, a mensagem é inoportuna”, analisou.