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    Maduro questiona acordos com oposição e gera dúvidas sobre eleições de 2024

    Presidente venezuelano disse que os Acordos de Barbados estão "feridos mortalmente" e em "terapia intensiva"

    Presidente da Venezuela Nicolás Maduro em Caracas
    Presidente da Venezuela Nicolás Maduro em Caracas 16/8/2023 REUTERS/Leonardo Fernandez Viloria

    Luciana Taddeopara a CNN Brasil

    O presidente venezuelano Nicolás Maduro disse na noite desta quinta (25) que os Acordos de Barbados, negociados com a oposição venezuelana para a promoção de direitos políticos e garantias para a realização de eleições presidenciais em 2024, estão “feridos mortalmente” e em “terapia intensiva”.

    O acordo, derivado de negociações entre o governo e a oposição venezuelana iniciados em 2021 e mediado pela Noruega, determina a livre eleição de candidatos pelas forças políticas segundo mecanismos internos do país e a constituição venezuelana e garantias eleitorais para a realização do pleito no segundo semestre deste ano.

    “Hoje os Acordos de Barbados estão feridos mortalmente, declaro que eles estão em terapia intensiva. Eles foram apunhalados, chutados”, disse o presidente venezuelano, em pronunciamento na capital da Venezuela.

    Maduro fez a declaração em referência a supostas conspirações, denunciadas nesta semana por seu governo, para a realização de atentados contra ele, contra o ministro da Defesa do país, Vladimir Padrino López, e contra Freddy Bernal, governador do estado de Táchira, fronteiriço com a Colombia.

    No discurso desta quinta (25), ele mencionou a suposta participação da CIA (Agência de Inteligência dos EUA) e da DEA (Agência de Controle de Drogas dos EUA), a partir da Colômbia, nos planos que teriam sido desvendados e desarticulados por Caracas.

    Maduro disse esperar que os acordos sejam “salvos” e o diálogo impulsionado “de verdade, cara a cara, sem cartas escondidas, sem planos macabros, sem planos para me assassinar ou nos assassinar ou levar o país a violência”.

    As declarações aumentam a tensão com a oposição, que tem pressionado pela imediata convocação de eleições presidenciais. Nesta quarta (23), a candidata María Corina Machado, exigiu que Miraflores “coloque data de uma vez” no processo eleitoral: “você queira ou não queira, Nicolás Maduro, o povo vai te obrigar a se avaliar [nas urnas]. Deixem o medo, coloquem uma data e vamos concorrer”, exclamou.

    “Eles [governo] sabem que não têm votos e, por isso, se escondem atrás da ameaça, da perseguição, da mentira, da sentença fabricada para tentar nos calar, nos aniquilar ou nos desviar. Mas saibam claramente: ninguém nos tira dessa rota eleitoral em que vamos avançar e desalojar essa tirania”, disse em um ato.

    Machado segue impedida de ocupar cargos públicos no país, por apoio às sanções dos Estados Unidos contra o governo. Mesmo assim, ela venceu as primárias presidenciais da oposição da Venezuela em outubro do ano passado e é a principal rival de Maduro.

    A declaração do governo venenezuelano acontece em meio a uma visita de uma delegação da União Europeia ao país. Hoje, representantes da missão foram recebidos pela vice-presidente do país, Delcy Rodríguez “para avançar na restauração das relações políticas entre nações”, segundo a tv estatal venezuelana.