Arqueólogos revelam maior mosaico romano já encontrado na história
Especialistas acreditam que ele seja o maior do mundo romano e ainda escavam para descobrir sua extensão total

A cidade de Roma revelou, pela primeira vez, o maior mosaico de parede romano já encontrado e um afresco colorido pintado em uma parede de 2 mil anos — o desfecho de um enorme projeto de restauração que durou 14 anos.
Com 10 metros de altura e 16 metros de comprimento, o "Grande Mosaico" — como foi denominado — situa-se sob o Monte Ópio, onde o imperador Nero construiu sua famosa Casa Dourada entre os anos 64 e 68 d.C.
"Estimamos que seja o maior mosaico de parede já encontrado no mundo romano, e ainda estamos escavando para descobrir onde ele termina", disse o arqueólogo Francesco Pacetti durante a apresentação do local, na terça-feira (8).
Os arqueólogos afirmam não estar claro se o mosaico — que também remonta ao século I d.C. — fazia parte das suntuosas instalações de Nero ou se foi construído como parte de uma residência privada independente que o imperador acabou incorporando ao complexo.
Toda a área, situada a poucos passos do Coliseu, foi transformada em termas públicas pelo imperador Trajano em 109 d.C., e tanto o "Grande Mosaico" (mais antigo) quanto o afresco da "Cidade Pintada", localizado nas proximidades, serviam de cenário para os frequentadores das termas.
Parte do mosaico, descoberto inicialmente durante escavações na década de 1990, não pôde ser recuperada, mas o que resta é uma cena colorida.
A imagem retrata uma cidade portuária murada vista de cima, com praças públicas e torres que não eram comuns no século I d.C.
Os detalhes minuciosos incluem tons de azul e terracota — que desbotaram com o tempo — e retratam diversas cenas que se desenrolam na cidade portuária, quase como uma apresentação teatral.

Na parte superior do mosaico, há closes de vários personagens, como se estivessem observando a movimentação no porto, logo abaixo.
Entre eles, figuram um filósofo barbudo em tamanho natural e sua musa, diversas estátuas e um jovem poeta, além de um palco teatral com colunas, guirlandas e volutas de motivos vegetais — tudo isso realçado por mármore azul e branco e pedras preciosas, criando o efeito do sol brilhando sobre o mar.
Os especialistas ainda não sabem se as cenas retratam uma cidade portuária utópica ou um lugar real do antigo mundo romano.
"Pode ser um lugar real ou uma cidade imaginária; não temos certeza", disse Pacetti, acrescentando que nenhuma cidade conhecida apresenta essas mesmas características reconhecíveis, embora um porto pudesse tê-las possuído na época em que o mosaico foi criado.
O afresco da "Cidade Pintada", recentemente restaurado e situado entre duas colunas na entrada da área onde o mosaico foi encontrado, também foi descoberto durante escavações na década de 1990.
Também datado do século I, o afresco de 10 metros quadrados é tão detalhado quanto o mosaico, apresentando cenas que retratam uma cidade murada com portão de acesso ao porto, vias, um teatro e um templo.
Arqueólogos estão trabalhando atualmente para revelar outra área do mosaico, que retrata uma colheita de uvas e a produção de vinho.
Todo o complexo — que abrange as vastas ruínas de 60 mil metros quadrados das Termas de Trajano e sua êxedra, uma grande parede de contenção semicircular com nichos embutidos, sugerindo que as termas também serviam como uma antiga biblioteca, — será em breve palco de lançamentos de livros, numa referência à sua função original como biblioteca, segundo autoridades de Roma.
Foram instaladas passarelas para visitação, bem como um sistema de iluminação que ajuda a revelar os detalhes intrincados tanto do mosaico quanto do afresco.
"Estamos devolvendo essa maravilha única à cidade", disse Roberto Gualtieri, prefeito de Roma, durante a inauguração.



