Mais de 30 crianças afegãs chegam desacompanhadas aos EUA, diz oficial

Menores resgatados que chegam do Afeganistão sem os pais são colocados no Departamento de Saúde e Serviços Humanos até que sejam transferidos aos responsáveis

Soldados dos Estados Unidos puxando criança durante resgate em Cabul
Soldados dos Estados Unidos puxando criança durante resgate em Cabul AP

Priscilla AlvarezGeneva Sandsda CNNJoão de Marida CNN*

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Pelo menos 34 crianças afegãs resgatadas de Cabul chegaram aos Estados Unidos sem os pais ou algum responsável legal, segundo um funcionário do governo informou à CNN Internacional. Segundo informações do governo norte-americano, alguns desses menores já se reuniram com familiares no país.

Cerca de 1.200 pessoas foram retiradas da capital do Afeganistão nas últimas 24 horas, quase inteiramente em voos militares dos EUA. No total, são cerca de 116.700 pessoas retiradas do país desde 14 de agosto. Se contar os números do final de julho, são 122.300 pessoas.

As crianças que chegam aos EUA são colocadas sob os cuidados do Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS, na sigla em inglês), que supervisiona a rede de abrigos que recebe menores até que eles se reúnam com um responsável no país. Os menores desacompanhados que chegam do Afeganistão também são colocados nesses locais até que sejam transferidos aos responsáveis.

O número, relatado pela primeira vez pela emissora americana CBS, é pequeno em comparação com as centenas de crianças migrantes transferidas para os cuidados do HHS diariamente a partir da fronteira sul dos Estados Unidos.

Procurado pela reportagem, o Departamento de Saúde e Serviços Humanos não respondeu à CNN Internacional até a publicação dessa matéria.

Mais cedo, a CNN noticiou que quatro jovens irmãos que desembarcaram nos Estados Unidos no domingo (29) após se esconderem na capital do Afeganistão até o resgate. Até a manhã desta segunda-feira (30), os irmãos estavam esperando para se reunir com sua mãe, que mora nos Estados Unidos.

 

Operação para receber afegãos nos EUA

O governo implementou apoio médico adicional para populações vulneráveis, incluindo crianças desacompanhadas, de acordo com o diretor médico do DHS, Dr. Pritesh Gandhi, em entrevista por telefone às autoridades locais e estaduais na sexta-feira passada. Segundo ele, funcionários de saúde do estado, bem como funcionários do HHS e dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças também estão ajudando.

Existe um processo padronizado para todas as chegadas do Afeganistão aos Estados Unidos, que inclui testes de Covid-19 e quarentena potencial. As vacinas contra a Covid-19 também estão disponíveis nos aeroportos Dulles e Filadélfia, que estão sendo usados ​​para chegadas dos afegãos.

“Estamos perfeitamente cientes de que esta é uma comunidade vulnerável que passou por tantas coisas e continuará a ter desafios como acesso a cuidados de saúde e outros serviços e, por isso, queríamos garantir que as vacinas da Covid estivessem disponíveis”, disse Gandhi para todos os afegãos que chegam aos EUA.

O governo dos Estados Unidos disponibilizam nas bases militares onde os afegãos estão alojados assistência médica completa, incluindo rastreio de tuberculose e vacinações, incluindo a contra o novo coronavírus.

 

Ataque dos EUA matou 9 pessoas, incluindo crianças

No domingo (29), militares norte-americanos fizeram bombardeio com drone contra um suposto homem-bomba do Estado Islâmico-K, que estaria em um veículo em um bairro residencial de Cabul. No entanto, segundo informações da CNN Internacional, nove membros de uma família — incluindo seis crianças — morreram no ataque.

Vizinhos e testemunhas no local do ataque com drone disseram à CNN que várias pessoas foram mortas, incluindo crianças.

“Todos os vizinhos tentaram ajudar e trouxeram água para apagar o fogo e vi que havia cinco ou seis mortos”, disse um deles à CNN. “O pai da família e outro menino. E havia dois filhos. Eles estavam mortos, eles estavam em pedaços. Havia [também] dois feridos.”

A mais jovem morta era uma menina de 2 anos, segundo um irmão de um dos mortos. “Eles eram uma família comum”, disse ele à CNN. “Não somos ISIS ou Daesh [siglas em inglês para Estado Islâmico] e esta era uma casa de família, onde meus irmãos viviam com suas famílias”, afirmou.

No mesmo dia, militares dos EUA reconheceram que houve relatos de vítimas civis após o ataque.

“Sabemos que ocorreram explosões subsequentes substanciais e poderosas resultantes da destruição do veículo, indicando uma grande quantidade de material explosivo em seu interior que pode ter causado vítimas adicionais. Não está claro o que pode ter acontecido e estamos investigando mais a fundo”, afirmou o Capitão Bill Urban, porta-voz do Comando Central dos EUA, em um comunicado.

“Ficaríamos profundamente tristes por qualquer potencial perda de vidas inocentes”, acrescentou.

(*Com informações da CNN; esse texto foi traduzido, para ler o original clique neste link)

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