Mais de 40 mil precisam de ajuda humanitária no Nepal, diz ONU
Desastre deslocou comunidades, destruiu meios de subsistência e interrompeu o acesso a serviços essenciais, diz programa das Nações Unidas para a nutrição

Enquanto o resgate de dois homens no Nepal trouxe uma rara notícia positiva nesta sexta-feira (4), a situação no país continua difícil, com milhares de pessoas deslocadas e milhares de casas destruídas.
Cerca de 43 mil pessoas no Nepal — aproximadamente 10 mil famílias — precisam de ajuda humanitária imediata, segundo o Programa Mundial de Alimentos (PMA) das Nações Unidas, com base em informações das autoridades nepalesas de gestão de desastres.
“O desastre deslocou comunidades, destruiu meios de subsistência e interrompeu o acesso a serviços essenciais”, afirmou o PMA em uma atualização divulgada nesta sexta-feira.
Estimativas do governo indicam que mais de 84 mil pessoas foram afetadas pelas enchentes e deslizamentos de terra no Nepal.
Muitas das áreas afetadas são de difícil acesso. O programa de alimentação da ONU informou que enviou equipes especializadas em logística para ajudar organizações humanitárias parceiras a chegar aos locais mais isolados.
“O desastre corre o risco de agravar os problemas nutricionais já existentes. Mesmo antes das enchentes, as taxas de desnutrição, baixo peso e anemia infantil eram altas no Nepal, com uma em cada quatro crianças do país afetada por atraso no crescimento. A interrupção dos mercados, a perda dos meios de subsistência e a redução do acesso a alimentos variados e nutritivos podem aumentar ainda mais os riscos nutricionais”, afirmou o PMA.
Resgate em túnel
O corpo de uma terceira pessoa foi encontrado em um túnel da Usina Hidrelétrica Trishuli 3A, poucas horas depois de dois trabalhadores serem resgatados com vida, informou a Autoridade de Eletricidade do Nepal.
A vítima foi identificada como Binod Pandey.
Suresh Raut, vice-gerente da Autoridade de Eletricidade do Nepal, estava no local quando o corpo foi encontrado. Segundo ele, uma equipe de 11 pessoas, incluindo parentes dos desaparecidos, foi enviada para procurar vítimas nas áreas próximas.
“Depois disso, as buscas e o resgate em Trishuli 3A serão encerrados”, explicou Raut. Ele acrescentou que há “pouca possibilidade de encontrar outras pessoas desaparecidas nesse túnel”.
Trabalhos continuam
O resgate com vida de dois homens de um túnel de uma usina hidrelétrica nas profundezas do Himalaia nepalês, nove dias após o desastre, trouxe esperança ao Nepal.
O clima entre os socorristas é de otimismo. Mas chegar a outras pessoas que ainda podem estar presas no túnel — e cujo estado de saúde é desconhecido — é um desafio.
O Exército do Nepal acredita que outras 40 pessoas ainda estejam dentro do túnel da usina hidrelétrica Trishuli 3A. Não se sabe em que condições elas estão.
Os socorristas estão usando “vários tipos de detectores, detectores térmicos... câmeras de longo alcance, veículos operados remotamente, drones”, afirmou o major-general Anup Jung Thapa, chefe de operações militares, em entrevista à CNN na quinta-feira (3).
Em um dos túneis, há um canal para drenagem de água, onde a profundidade chega a cerca de 26 metros, disse ele.
Na semana passada, a CNN conversou com trabalhadores de uma usina em um túnel próximo. Eles relataram que água, cimento e detritos avançaram pela escuridão quando a enchente atingiu a região. Os trabalhadores disseram ter visto os corpos de colegas sendo arrastados pela correnteza enquanto tentavam desesperadamente chegar à superfície, a mais de 200 metros de distância. A fuga levou seis horas.
A região é extremamente remota e tem conectividade limitada, o que evidencia a dificuldade da operação de resgate para as equipes que trabalham dia e noite para salvar amigos e colegas.
Ao longo desta sexta-feira (4), helicópteros decolaram e pousaram constantemente no quartel de Trishuli.
Nas paredes do lado de fora do quartel, há dezenas de fotos de pessoas desaparecidas, ilustrando o número de pessoas que ainda não foram encontradas.



