Manifestantes no Equador bloqueiam estradas; dezenas foram presos

A ministra do Interior, Alexandra Vela, informou que as marchas foram pacíficas, exceto por alguns incidentes durante a tarde

Trinta e sete pessoas foram detidas por bloquear estradas no Equador
Trinta e sete pessoas foram detidas por bloquear estradas no Equador Reprodução/Twitter

Alexandra Valenciada Reuters

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Milhares de manifestantes protestaram contra as políticas econômicas do presidente conservador do Equador Guillermo Lasso na terça-feira (26), dias depois de um aumento no preço da gasolina. Os protestos bloquearam estradas em algumas partes do país.

Lasso, um ex-banqueiro que assumiu o cargo em maio, descartou na semana passada aumentos planejados nas tarifas de gasolina, destinados a eventualmente se alinhar com os custos internacionais, seguindo a pressão de organizações indígenas e outras.

Em vez disso, ele optou por aumentar o preço da gasolina extra, uma gasolina de maior octanagem que é o combustível mais usado do Equador, para US$ 2,55 o galão e o diesel para US$ 1,90 o galão.

Mas sindicatos e outros grupos querem que Lasso congele os preços a taxas mais baixas e isente os setores duramente atingidos pela pandemia.

Cinco policiais ficaram feridos e dois membros das Forças Armadas estavam detidos em uma comunidade no norte de Quito, mas saíram ilesos, disse o ministro da Defesa, Luis Hernandez, a jornalistas.

Trinta e sete pessoas foram detidas por bloquear estradas, acrescentou.

A Confederação de Nações Indígenas do Equador disse que os manifestantes ficaram feridos, mas não forneceu maiores dados.

A ministra do Interior, Alexandra Vela, informou que as marchas foram pacíficas, exceto por alguns incidentes durante a tarde, e reforçou que o governo está aberto ao diálogo.

Os custos da gasolina aumentaram significativamente desde que o antecessor de Lasso, Lenin Moreno, começou a aumentar mensalmente em maio de 2020.

“Não concordamos que as medidas implementadas por causa da crise devam recair sobre os trabalhadores e a classe média”, disse o professor universitário Victor Sanchez, 55, enquanto marchava no centro de Quito com cerca de mil outras pessoas.

A polícia usou gás lacrimogêneo na capital em meio a pequenos confrontos com manifestantes, enquanto policiais a cavalo bloquearam a entrada da praça que havia sido o destino dos manifestantes.

As marchas também aconteceram em Guayaquil e Cuenca.

Grupos indígenas bloquearam a estrada que conecta Quito ao norte do país com terra e árvores, e outras foram fechadas em várias províncias andinas.

A organização indígena CONFENIAE também disse que algumas estradas na região amazônica foram fechadas desde o início da manhã.

“Não viemos para desestabilizar, viemos para fazer demandas econômicas ao governo”, disse o presidente da CONAIE, Leônidas Iza, aos manifestantes em Panzaleo.

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