Manifestantes queimam imagens do líder de Mianmar no dia de seu aniversário

"Que você não descanse em paz" e "que seu aniversário e seu dia de morte sejam iguais", diziam faixas sobre as coroas fúnebres

Vista de transmissão de TV com pronunciamento do general Min Aung Hlaing, em Mianmar
Vista de transmissão de TV com pronunciamento do general Min Aung Hlaing, em Mianmar Foto: MRTV/Reuters

Da Reuters

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Manifestantes queimaram caixões falsos e fotos do governante do exército de Mianmar, Min Aung Hlaing, neste sábado (3), no dia de seu aniversário. 

“Que você não descanse em paz” e “que seu aniversário e seu dia de morte sejam iguais”, diziam faixas sobre as coroas fúnebres no município de Theinzayet, no leste do estado de Mon. Protestos semelhantes ocorreram em muitas partes de Mianmar.

“Estamos queimando isso como uma maldição”, disse um manifestante na cidade de Mandalay, incendiando uma pequena pilha de fotos do general, que completa 65 anos.

Um porta-voz das autoridades militares não respondeu aos pedidos de comentários.

Esta é a mais recente manifestação contra o golpe realizado cinco meses atrás no país do sudeste asiático.

Min Aung Hlaing assumiu o poder em 1º de fevereiro, derrubando a líder eleita Aung San Suu Kyi e abreviando uma década de reformas democráticas que tiraram Mianmar do isolamento sob as juntas anteriores.

Min Aung Hlaing deveria se aposentar após seu 65º aniversário, mas a idade de aposentadoria compulsória foi cancelada após o golpe.

O Exército afirma que a tomada do poder está de acordo com a constituição, após ter alegado fraude nas eleições de novembro, embora as acusações tenham sido rejeitadas pelo antigo órgão eleitoral.

Protestos ocorrem em muitas partes de Mianmar quase diariamente. Greves prejudicaram empresas, e combates estouraram nas fronteiras, fazendo com que cerca de 200 mil pessoas abandonassem suas casas.

De acordo com dados da Organização das Nações Unidas, mais de 880 pessoas foram mortas pelas forças de segurança desde o golpe e mais de 5.200 estão detidas.

O Ministério das Relações Exteriores de Mianmar contestou os números em um comunicado publicado no sábado. Descreveu-os como “fatos não verificáveis”, mas não deu suas próprias estimativas de mortes e detenções. Centenas de prisioneiros foram libertados esta semana.

O ministério também reclamou que o site da ONU trazia um link para um governo clandestino, de uma unidade nacional criada por opositores da junta militar. 

O golpe militar foi condenado por países ocidentais, alguns dos quais impuseram sanções, como os Estados Unidos.

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