Marinha dos EUA batiza navio de guerra com nome de uma capital estrangeira

USS Canberra leva o nome da capital da Austrália

O navio USS Canberra foi assim batizado como homenagem à capital da Austrália
O navio USS Canberra foi assim batizado como homenagem à capital da Austrália Foto: Reprodução/Austal USA/Facebook

Brad Lendon, da CNN

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Uma garrafa de vinho foi quebrada em uma massa de metal cinzenta na cidade de Mobile, no estado americano do Alabama, no último sábado (5), quando a Marinha dos Estados Unidos revelou o único navio de sua frota a ser registrado com o nome de uma capital estrangeira. 

O USS Canberra – assim batizado em homenagem à capital da Austrália – é um novo navio de combate no litoral e uma das mais novas plataformas na Marinha americana. 

“É muito importante, para fortalecer os laços de amizade entre as nossas duas nações, que a Austrália seja o único país aliado cuja capital foi usada para dar nome a um navio da Marinha dos Estados Unidos“, afirmou o comodoro (patente militar usada por Marinhas mundo afora) Matthew Hudson, adido militar da Austrália em sua embaixada em Washington, na cerimônia de batismo do navio, no sábado. 

Este é o segundo navio americano a levar o nome de Canberra. O primeiro existiu durante a Segunda Guerra Mundial, quando o cruzador USS Pittsburgh foi renomeado para Canberra depois que um navio australiano homônimo foi afundado por forças japonesas na Batalha da Ilha de Savo, parte da campanha de Guadalcanal nas Ilhas Salomão. 

O cruzador Canberra permaneceu ativo até 1970, tendo participado da crise dos mísseis cubanos e da Guerra do Vietnã. “Eu estou orgulhoso de me juntar aos parceiros australianos na continuidade do legado do seu nome”, disse o vice-almirante Rick Williamson, vice-chefe de operações navais dos Estados Unidos, durante a cerimônia que ratificou o nome do novo navio. 

O primeiro USS Canberra também integrava a frota americana quando foi assinado o Tratado ANZUS, um acordo de segurança firmado entre Estados Unidos, Austrália e Nova Zelândia em 1951. O nome do tratado se deve às iniciais dos países signatários, considerando seus nomes em inglês. O comodoro Hudson citou este fato no sábado. 

“Ao comemorarmos o 70º aniversário da aliança ANZUS, a amizade entre os nossos dois países está mais forte do que nunca”, disse o militar. 

“A aliança entre nossos dois países faz do mundo um lugar mais seguro”, falou Todd Schafer, secretário assistente interino da Marinha americana. 

O novo USS Canberra tem 128 metros de comprimento e pesa 3.200 toneladas, com capacidade para acomodar uma tripulação de até 75 marinheiros. Com uma velocidade máxima de cerca de 80 km/h, será um dos navios mais rápidos da Marinha dos Estados Unidos. Ele também será armado com o chamado “naval strike missile”, um míssil de cruzeiro marítimo difícil de ser detectado por radar e que pode ser manobrado para evitar as defesas inimigas. 

Os navios de combate litorâneos vêm em dois tipos: os catamarãs da classe Freedom, de casos simples, e os catamarãs de classe Independence, a qual pertence o Canberra, sendo o 15ª deste tipo pertencente à força americana. 

O simbolismo dos firmes laços de segurança entre os EUA e a Austrália ainda vai além do nome do navio. Foi construído no estaleiro da Austal USA, que integra a gigante da indústria de defesa global Austal, empresa com sede na Austrália. 

“Apensar 16 anos após a Austal USA passar a fazer parte da base industrial de defesa dos Estados Unidos, a empresa está hospedando seu 15º batismo de navio de combate no litoral – o LCS 30, um navio orgulhosamente nomeado com a capital da Austrália e já um novo símbolo da grande ligação entre nossos países”, disse Rusty Murdaugh, presidente interino da Austal USA. 

O batismo do Canberra marca a evolução do navio desde sua construção até o teste de seus sistemas no mar. Ele será definitivamente incorporado assim que seu teste for concluído. Aí, se juntará ao restante da frota. 

Outro navio da frota dos EUA, o navio de assalto anfíbio USS Tripoli, leva o nome da capital da Líbia. Contudo, o navio recebeu esse nome pelo envolvimento das forças americanas na Batalha de Derna, em 1805, travada no então Reino de Trípoli, que era uma província do Império Otomano. 

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