Metas de emissão apresentadas na COP26 são menores do que o esperado, diz ONU

Países detalharam suas novas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDC) em face da cúpula, mas esforço ainda irá gerar 13% a mais de CO2 em 2030

Giovanna Galvanida CNN

em São Paulo

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As atualizações das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) dos países para a COP26 tinham como objetivo demonstrar o maior compromisso dos países com a emergência climática, mas as metas ainda estão aquém do necessário, afirmou a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCC) nesta terça-feira (9).

Isso porque, mesmo com a atualização das NDCs, ainda haverá um aumento de cerca de 13,7% nas emissões de gases de efeito estufa em 2030 na comparação com 2010. Para evitar efeitos climáticos mais drásticos, a meta estipulada era cortar em 50% as emissões até o fim da década.

O novo relatório leva em consideração a implementação das 166 últimas NDCs disponíveis de todas as 193 Partes (os países signatários) do Acordo de Paris. Há 124 planos novos ou atualizados comunicados por 151 partes. As atualizações foram compiladas até o último dia 2 de novembro.

Antes da COP26, esse aumento estava calculado em 16%.

O Brasil foi um dos países que atualizou a NDC em face da proximidade da cúpula do clima, que acontece em Glasgow, na Escócia. O governo brasileiro apresentou uma nova meta de redução de 50% das emissões dos gases associados ao efeito estufa até 2030 e a neutralização das emissões de carbono até 2050.

No entanto, os cálculos foram alvo de questionamentos da sociedade civil, que acusou o país de ter cometido uma “pedalada fiscal” nos cálculos finais – o que até ampliaria o total de emissões permitido.

O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) estima que limitar o aumento da temperatura média global a 1,5°C, tal qual estipulado pelo Acordo de Paris, exige uma redução das emissões de CO2 de 45% em 2030, ou uma redução de 25% até 2030 para limitar o aquecimento a 2°C.

Se as emissões não forem reduzidas até 2030, elas precisarão ser substancialmente reduzidas depois disso para compensar o início lento no caminho para as emissões líquidas zero, mas provavelmente a um custo mais alto, destacou a UNFCCC.

Em relação a 2050, considerando 74 partes que forneceram mais detalhes sobre estratégias de mitigação às mudanças climáticas ao longo prazo, as emissões totais são estimadas em estarem 70% a 79% menores do que em 2019. A meta anunciada por muitos países, por outro lado, era atingir a chamada “neutralidade de carbono” até lá.

Um dos motivos apontados pela UNFCCC para a baixa ambição de emissões está nos “compromissos condicionais” dos países em desenvolvimento, que esperam a implementação de fato dos recursos financeiros prometidos por países ricos – um fundo de, no mínimo, US$ 100 bilhões anuais.

O alerta soma-se a apelos da própria ONU e de países em desenvolvimento para que mecanismos de financiamento da transição energética para uma matriz mais limpa sejam implementados, mas também jogam luz a alertas da UNFCCC sobre o que significaria não reduzir as emissões drasticamente nesta década.

“Em todos os cenários, a marca de 1,5 ºC, limite mais ambicioso do Acordo de Paris, deve ser ultrapassada entre 2021 e 2040. Cada meio grau a mais de aquecimento aumenta a frequência de ondas de calor, tempestades e secas que afetam a agricultura. Mesmo com o aquecimento global estabilizado em 1,5 ºC, eventos extremos sem precedentes no registro histórico deverão acontecer”, registrou o IPCC em seu último relatório, já descrente que o objetivo seja, de fato, cumprido.

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