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    Ministra israelense não participa da COP26 por falta de acessibilidade

    Cadeirante, Karine Elharrar, ministra de Energia israelense, não conseguiu ter acesso a uma reunião da cúpula; Boris Johnson se desculpou

    Karine Elharrar, à esquerda, fotografada na residência do presidente israelense em abril de 2021
    Karine Elharrar, à esquerda, fotografada na residência do presidente israelense em abril de 2021 Reprodução

    Andrew CareyMax Fosterda CNNHadas Gold

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    A ministra de Energia israelense, Karine Elharrar, não pôde comparecer à conferência climática COP26 na segunda-feira (1º), devido à falta de acesso para cadeiras de rodas. O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, anfitrião do evento, fez um pedido de desculpas pessoalmente a Elharrar que disse ter aceitado.

    “Ele [Johnson] foi muito gentil e muito amigável e se desculpou. Claro, eu aceitei e espero que isso não aconteça novamente”, disse Elharrar a Max Foster da CNN durante uma entrevista em Glasgow nesta terça-feira (2).

    Quando questionada sobre quem ela achava ser o responsável pelo problema, Elharrar, que sofre de distrofia muscular e usa cadeira de rodas, disse que não queria julgar. “Acabei de encontrar um problema.”

    “Em vez de lidar com energia verde, com colaborações entre países para combater as mudanças climáticas, promovi a acessibilidade”, continuou.

    “Eu não estou pedindo desculpas. Eu só quero que da próxima vez, nada disso aconteça.”

    Johnson pediu ao primeiro-ministro israelense Naftali Bennett para convidar Elharrar para se juntar a eles em uma reunião na terça-feira.

    O líder do Reino Unido pediu desculpas pessoalmente a Elharrar pelo incidente do dia anterior, de acordo com um alto funcionário da delegação israelense na COP.

    Elharrar, que sofre de distrofia muscular e usa uma cadeira de rodas, viajou para o local da COP na comitiva do primeiro-ministro israelense Naftali Bennett na terça-feira e o acompanhou até a conferência, disse o oficial.

    Bennett criticou duramente os organizadores da COP 26 pela falta de acessibilidade e ameaçou cancelar sua participação no evento na terça-feira.

    O presidente da COP, Alok Sharma, disse repetidamente que uma conferência totalmente inclusiva era crítica para o sucesso da conferência do clima.

    A CNN entrou em contato com o gabinete do primeiro-ministro do Reino Unido para comentar.

    De acordo com um oficial que viaja com a delegação de Bennett para a Escócia, as autoridades israelenses passaram duas horas tentando colocar Elharrar no local da COP na segunda-feira, mas “devido ao fato de não ser totalmente acessível para cadeiras de rodas, os esforços foram malsucedidos e a ministra não pôde entrar.”

    O ministro das Relações Exteriores de Israel, Yair Lapid, que não faz parte da delegação, tuitou, “é impossível salvaguardar nosso futuro e enfrentar a crise climática, sem antes de mais nada cuidar das pessoas, inclusive garantindo a acessibilidade para pessoas com deficiência”.

    O embaixador do Reino Unido em Tel Aviv, Neil Wigan, foi rápido em pedir desculpas.

    “Estou perturbado em saber que [Karine Elharrar] não pôde comparecer às reuniões na COP26. Peço desculpas profundamente e sinceramente a Ministra. Queremos uma Cúpula da COP que seja acolhedora e inclusiva para todos”, ele tuitou.

    O órgão de mudanças climáticas das Nações Unidas posteriormente se desculpou pelos “inconvenientes associados ao acesso ao local da COP26, tanto física quanto virtualmente”, em um e-mail distribuído aos participantes da COP26 na terça-feira.

    O secretariado de Mudanças Climáticas da ONU acrescentou que “a COP26 está ocorrendo em circunstâncias logísticas excepcionais e sem precedentes” e que o acesso a muitos espaços teve que ser reduzido para cumprir os protocolos da Covid-19 na manutenção do distanciamento social.

    Com mais de 38.000 participantes registrados, o distanciamento social na conferência se mostrou difícil.

    Um “interesse sem precedentes” nesta COP em particular e nos arranjos de segurança da Cúpula de Líderes Mundiais “contribuiu para as muitas pressões logísticas”, continuou o comunicado.

    “De muitas maneiras, os primeiros dias da COP26 foram um processo de aprendizado, com participantes e funcionários se acostumando com as medidas e circunstâncias logísticas relacionadas à pandemia, e estamos fazendo o nosso melhor para aprender e nos adaptar continuamente.”

    (Texto traduzido. Leia aqui o original em inglês.)

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