União Europeia busca medidas mais duras sobre imigração após crise em Ceuta
Ministros do bloco defenderam ações mais rigorosas contra o tráfico de pessoas e políticas de repatriação mais firmes

Líderes da União Europeia pediram medidas mais rigorosas contra as redes de tráfico de imigrantes e políticas de repatriação mais firmes. Os ministros de países do bloco se reuniram nesta terça-feira (4), após a crise provocada pela entrada de 72 mil imigrantes no enclave espanhol de Ceuta, no norte da África.
Os ministros também pediram uma cooperação mais estreita com países fora da União Europeia para conter a imigração irregular e evitar que travessias massivas, como a registrada na semana, passada se repitam.
Cerca de 75 imigrantes morreram ao tentar a travessia, muitos deles afogados e outros esmagados no caos. Os milhares de imigrantes vindos do Marrocos tentavam chegar ao território espanhol de Ceuta, em uma das duas fronteiras terrestres do bloco com a África.
O comissário europeu Magnus Brunner afirmou em uma coletiva de imprensa após uma reunião de emergência dos ministros da Justiça e Assuntos Internos da UE que o fluxo havia sido alimentado por redes criminosas de contrabando e desinformação nas redes sociais.
Ele se recusou a dizer se Marrocos tinha alguma responsabilidade, mas elogiou a cooperação do país com as autoridades espanholas no que diz respeito aos retornos.
“Há uma investigação em andamento sobre o assunto (o papel de Marrocos na invasão em massa) na Espanha. Portanto, eu... não posso, na verdade, comentar mais sobre isso, mas é claro que houve alguma desinformação por parte dos contrabandistas e traficantes de pessoas; isso é o que sabemos com certeza”, disse ele.
O aumento repentino levou os ministros a discutir uma série de medidas, incluindo melhor compartilhamento de informações de inteligência, monitoramento mais rigoroso das redes sociais para detectar picos imigratórios com maior antecedência e proteção mais forte das fronteiras externas da UE.
Alguns analistas questionaram se as autoridades marroquinas fecharam os olhos às travessias, lembrando ocasiões anteriores em que Rabat foi acusada de usar a imigração como alavanca política.
O último grande aumento ocorreu em maio de 2021, quando as autoridades marroquinas pareceram flexibilizar os controles de fronteira, uma medida amplamente interpretada como retaliação pelo fato de a Espanha ter acolhido um líder independentista do Saara Ocidental. O território é disputado, com Marrocos reivindicando soberania sobre ele.
Brunner também afirmou que a UE está negociando um acordo de parceria estratégica abrangente com Marrocos.
A UE tem contado cada vez mais com acordos de imigração com países do norte da África para conter as chegadas irregulares, mas críticos afirmam que essa abordagem deixa o bloco vulnerável à pressão de países de trânsito que podem flexibilizar — ou ameaçar flexibilizar — os controles de fronteira em busca de concessões políticas ou econômicas.
A imigração tem sido uma das questões políticas mais polêmicas da UE desde a crise de 2015-2016, quando mais de um milhão de refugiados e imigrantes, muitos fugindo da guerra na Síria, chegaram à Europa.
O fluxo aumentou o apoio a partidos anti-imigração e de ultradireita em todo o bloco e intensificou anos de disputas sobre controles de fronteira, regras de asilo e repartição de encargos.
Marrocos afirmou no domingo que as recentes travessias em massa para Ceuta e outro enclave espanhol, Melilha, foram alimentadas por desinformação nas redes sociais, redes de tráfico de pessoas e interpretações equivocadas de uma decisão judicial espanhola.
A maioria dos imigrantes que atravessou a barreira da fronteira não encontrou nem comida nem abrigo e, posteriormente, retornou ao Marrocos.
No entanto, a Itália suspendeu por um mês o regime de livre circulação no espaço Schengen com a Espanha, embora esse regime não se aplique a Ceuta, enquanto 22 dos 27 Estados-membros da UE pediram uma ação coordenada para fortalecer as fronteiras externas do bloco.

