Mais de 100 pessoas alegam lesões cerebrais em montanha-russa dos EUA

Investigação da CNN expõe série de ferimentos graves e mortes ligados à atração X2, no parque Six Flags Magic Mountain, na Califórnia; no Brasil, um caso parecido é investigado em parque no interior de SP

Blake Ellis, Melanie Hicken e Kyung Lah, da CNN
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Mais de 100 pessoas afirmam ter sofrido lesões cerebrais de diferentes gravidades após andar na X2, uma montanha-russa do parque Six Flags Magic Mountain, no sul da Califórnia, nos últimos dois anos. As novas alegações surgem após uma investigação da CNN, publicada no mês passado, relacionar a atração a ferimentos que mudaram vidas e a mortes.

“A Six Flags tem apostado deliberadamente com a vida das pessoas. Nenhum brinquedo assim deveria ter permissão de existir”, disse o advogado civil Christopher Bulone em uma coletiva de imprensa nesta terça-feira (22), ao anunciar três processos contra a empresa nesta semana.

A X2 é uma das principais atrações do Six Flags Magic Mountain e atrai visitantes de várias partes do mundo com assentos que giram, quedas quase verticais e movimentos imprevisíveis.

As alegações de que a montanha-russa feriu passageiros remontam a mais de uma década, mas permaneceram em grande parte sob sigilo até a investigação da CNN. A reportagem documentou mais de uma dúzia de relatos de ferimentos graves e hospitalizações associados à atração, incluindo pelo menos duas mortes. Em julho, duas mulheres foram atendidas na mesma emergência de Santa Clarita após andar na X2 com apenas seis dias de diferença.

Mais de 100 novos casos

Após as reportagens da CNN, advogados disseram nesta terça-feira que agora representam mais de 100 clientes que alegam ter sofrido lesões cerebrais de diferentes gravidades após andar na X2 nos últimos dois anos.

Os advogados afirmaram ainda ter recebido relatos de centenas de outros passageiros, mas disseram que alguns não poderiam processar devido ao prazo de prescrição, tinham ferimentos não relacionados ao cérebro ou não possuíam comprovantes de atendimento médico. A CNN não conseguiu verificar de forma independente as alegações apresentadas recentemente.

Dois dos processos ajuizados na segunda-feira (21) detalham relatos de passageiros já apresentados pela CNN. Os documentos alegam que dirigentes da Six Flags tinham amplo conhecimento dos supostos riscos da atração e não deveriam ter permitido que ela continuasse em operação.

Uma das passageiras é Naomi Greer-Wilkinson, de 26 anos, que perdeu a consciência depois de sair da montanha-russa e precisou passar por uma cirurgia cerebral de emergência após sofrer uma lesão cerebral traumática grave.

Pamela Guillen, de 40 anos, também perdeu a consciência após andar na atração e foi submetida a uma cirurgia cerebral de emergência. Segundo um e-mail analisado pela CNN, cirurgiões determinaram que os ferimentos foram causados por “um evento traumático de rápida aceleração-desaceleração vivenciado durante o brinquedo X2”.

Guillen contou anteriormente à CNN que precisou reaprender a falar e andar. Ela afirma que ainda sofre com fortes dores de cabeça e névoa cerebral e precisa tomar medicamentos para prevenir convulsões.

Greer-Wilkinson permanece em coma, enquanto seus pais mantêm a esperança de que ela acorde.

Em um terceiro processo apresentado na segunda-feira, o advogado de Los Angeles Michael Wilk alegou ter sofrido um grave sangramento cerebral que exigiu múltiplas cirurgias depois de andar na X2 em fevereiro.

Em entrevista à CNN, Wilk afirmou que ficou incapacitado pelos ferimentos, com fortes dores de cabeça, perda de memória e névoa mental, além de não conseguir mais exercer a advocacia.

“Meu cérebro tem dificuldade em processar as palavras e, por isso, a menos que seja extraordinariamente claro e alto, meu cérebro entende a palavra errada. Acho que perco cerca de metade das conversas das quais participo”, disse. “Espero sinceramente que, ao vir a público, mudanças sejam feitas.”

O que diz a Six Flags

A Six Flags se recusou a comentar as novas alegações envolvendo a X2, afirmando que não comenta processos judiciais em andamento. A empresa já havia se recusado a responder às perguntas detalhadas da CNN e disse que a única informação que compartilharia era que “o brinquedo permanece fechado no momento”.

Em processos anteriores movidos por passageiros ou familiares de vítimas, os advogados da Six Flags defenderam a montanha-russa argumentando que uma placa alerta os visitantes de que “existem riscos inerentes à participação em qualquer brinquedo ou atração de parque de diversões”.

A empresa também afirmou que a X2 é testada regularmente e que as forças físicas experimentadas pelos passageiros não são suficientemente fortes para causar uma lesão cerebral traumática em um passageiro “normal” que utilize a atração “conforme as instruções”.

Casos e mortes

Também nesta semana, o advogado Timothy Loranger, cujo escritório representou a família de Christopher Hawley, de 22 anos, que morreu de uma lesão cerebral traumática após andar na X2 há quatro anos, disse à CNN que novos clientes procuraram a banca por danos supostamente causados pela montanha-russa.

Os casos incluem relatos que variam de concussões graves a sangramentos cerebrais. Entre os novos clientes está a família de um jovem que, segundo os advogados, morreu após andar na X2 no fim de 2025. Ele seria a vítima mais recente entre pelo menos três mortes supostamente relacionadas à atração.

O que diferencia a X2 de outras montanhas-russas é sua tecnologia de “quarta dimensão”. Os assentos giram 360 graus ao redor dos trilhos enquanto os trens atingem velocidades de quase 130 km/h durante cerca de dois minutos.

Apesar de anos de alertas de visitantes, advogados e especialistas médicos sobre os supostos riscos da atração, responsáveis pelo parque e reguladores estaduais permitiram que a X2 continuasse em operação até este verão.

O Six Flags fechou a montanha-russa na noite de 12 de julho, segundo um porta-voz. O fechamento ocorreu quase um dia após o acidente mais recente no local, e os responsáveis pelo parque não explicaram o que motivou a decisão.

A Divisão de Saúde e Segurança Ocupacional da Califórnia, que supervisiona as operações de brinquedos em parques de diversões, não respondeu ao pedido de comentário da CNN sobre as novas alegações.

Anteriormente, a agência também não respondeu a perguntas sobre o histórico de lesões cerebrais supostamente associadas à X2 nem explicou como considerou seguro reabrir a atração após incidentes anteriores. A agência apenas informou que uma inspeção continua em andamento.

O advogado Gary Dordick, que também representa mais de 100 novos clientes, afirmou nesta terça-feira que muitas supostas vítimas disseram ter comunicado os ferimentos à Six Flags. Segundo ele, não está claro quantos desses casos foram posteriormente informados às autoridades estaduais.

“A Magic Mountain conhece os perigos desta atração há anos”, afirmou Dordick.

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