Morador de Teerã relata à CNN ambiente "extremamente pesado e tenso"

Conteúdo Exclusivo: Residente da capital do Irã afirmou que população está traumatizada e tem dificuldades para falar sobre repressão aos protestos

Issy Ronald, da CNN
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A atmosfera em Teerã, capital do Irã, está “extremamente pesada e tensa” com a repressão violenta aos protestos em todo o país, disse um morador à CNN.

“Todos sabem que ocorreu um massacre em massa (sic), criando uma atmosfera extremamente pesada e tensa”, disse o homem de 47 anos, que pediu anonimato por medo de represálias.

“As pessoas estão traumatizadas e até mesmo têm dificuldade para falar sobre o que aconteceu", comentou.

A fonte relatou que a circulação entre bairros está proibida após as 20h e há uma “situação semi-militar em vigor”. De toda forma, os últimos dois dias foram “tranquilos”, com pessoas se reunindo “em suas próprias áreas”.

“A polícia geralmente tolera cânticos e aglomerações, mas no momento em que percebe movimento ou escalada da violência, responde violentamente”, destacou.

“Meu amigo presenciou tiroteios à queima-roupa", adicionou.

Ele disse que havia apenas conexão parcial com a internet, com acesso “limitado a um ou dois aplicativos aprovados pelo governo relacionados a escolas, universidades e bancos” e a maioria das pessoas completamente isolada.

Bloquei da internet dificulta troca de informações

Um bloqueio de internet imposto pelo Estado dificultou a apuração do número de mortos na repressão aos protestos antigovernamentais.

Pelo menos 2.403 manifestantes foram mortos desde o início dos distúrbios em dezembro, segundo a agência de notícias HRANA (Human Rights Activists News Agency), sediada nos EUA, mas o número confirmado pode aumentar à medida que mais informações forem divulgadas.

“Por causa desse bloqueio, a maioria das pessoas dentro do Irã não viu os vídeos de Kahrizak nem outras imagens recentes”, pontuou o homem ouvido pela reportagem, referindo-se a vídeos que mostram fileiras de sacos para cadáveres em um necrotério improvisado.

“As notícias estão se espalhando lentamente, principalmente por meio de boatos", acrescentou.

“Politicamente, a maioria das pessoas não se identifica com nenhum grupo ou figura. A sobrevivência vem em primeiro lugar: o medo pela própria vida, depois a luta pelo sustento básico", finalizou.