Moradores da Louisiana são instruídos a não voltar para casa após furacão

Autoridades emitiram alertas explicando que não há eletricidade, a água corrente não é confiável, os abrigos de emergência estão danificados e nenhum dos hospitais está funcionando

Vista aérea de área inundada em Grand Isle, no Estado norte-americano da Lousiana, após passagem do furacão Ida, em 31/08/2021
Vista aérea de área inundada em Grand Isle, no Estado norte-americano da Lousiana, após passagem do furacão Ida, em 31/08/2021 REUTERS/Marco Bello

Devika Krishna Kumarda Reuters

Nova Orleans

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As pessoas que fugiram do Ida antes de a tempestade se abater sobre o sul do estado norte-americano da Louisiana estão sendo instruídas a não voltar para casa ainda, já que a longa e árdua recuperação de uma das tempestades mais fortes a atingirem a Costa do Golfo dos Estados Unidos está só começando.

Três dias depois de o furacão de categoria 4 chegar ao continente, mais de um milhão de casas e estabelecimentos continuavam sem eletricidade nesta quarta-feira (1), e a fornecedora de energia Entergy Corp alertou que pode levar semanas para o serviço ser restabelecido em algumas áreas em que torres de transmissão se tornaram pilhas de metal esmagado.

A tempestade matou ao menos quatro pessoas e deixará muitas milhares mais em situação precária, já que incontáveis lares foram destruídos e cidades foram inundadas, o que evocou lembranças do furacão Katrina, que matou cerca de 1.800 pessoas e arrasou Nova Orleans 16 anos atrás.

As autoridades foram incapazes de realizar uma avaliação completa dos danos porque árvores caídas estão bloqueando muitas ruas, disse a chefe da Agência Federal de Administração de Emergências (Fema), Deanne Criswell.

Um sinal do desespero foi a fila de quase 1,6 quilômetro de carros para receber água potável de voluntários em Lockport, na Louisiana, na terça-feira.

Lockport se localiza perto de Houma, cidade de 33 mil habitantes situada 80 quilômetros ao sul de Nova Orleans que foi uma das mais atingidas.

A tempestade arrancou telhados e derrubou linhas de transmissão ao pairar sobre a área durante horas, mantendo grande parte de sua força.

As autoridades da paróquia de Terrebonne, que inclui Houma, emitiram um comunicado implorando às pessoas que não voltem, explicando que não há eletricidade, a água corrente não é confiável, os abrigos de emergência estão danificados e nenhum dos hospitais está funcionando.

Moradores de Houma, Scott e Daria Hebert disseram à televisão WAFB que se arrependeram de não ter se retirado a tempo e que estavam tentando escapar na terça-feira.

“Este foi nosso Katrina, basicamente”, disse Daria.

Para agravar o sofrimento, partes da Louisiana e do Mississippi estavam sujeitas a alertas de calor, já que o índice de calor da maior parte da área chegou a 35 graus Celsius na terça-feira, segundo o Serviço Nacional do Clima.

Até os geradores de energia são arriscados. Nove pessoas da paróquia de St. Tammany, a nordeste de Nova Orleans, foram hospitalizadas de madrugada por causa de um envenenamento de monóxido de carbono causado por um gerador a gás, noticiou a mídia local.

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