"Não desistiremos e não perderemos", diz Zelensky ao Parlamento do Reino Unido
Presidente ucraniano cobrou premiê Boris Johnson para que imponha sanções mais duras e reconheça a Rússia como um Estado terrorista
Em um pronunciamento feito por videoconferência ao Parlamento do Reino Unido nesta terça-feira (8), o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, disse que os ucranianos não desistirão e não perderão a guerra, que foi iniciada com a invasão russa no dia 24 de fevereiro.
Foi a primeira vez que um presidente de outro país se dirigiu aos parlamentares britânicos. O primeiro-ministro Boris Johnson estava presente na sessão.
Falando diretamente ao premiê, após agradecer a ajuda já enviada, Zelensky cobrou que ele imponha sanções mais duras e reconheça a Rússia como um Estado terrorista. "Garanta que os nossos céus estejam a salvo", acrescentou, em mais um pedido ucraniano para que o Ocidente imponha uma zona de exclusão aérea no país.
"Por favor, faça o que precisa ser feito, e aquilo que for estipulado pela grandeza de seu país", concluiu o presidente.
Logo no início de sua fala, Zelensky disse que seu país enfrenta uma questão de "ser ou não ser" –em referência ao poeta e dramaturgo inglês William Shakespeare. "Posso lhe dar uma resposta definitiva: definitivamente deve ser", declarou.
Ele relembrou os dias de enfrentamento à invasão russa, dizendo que é uma guerra "que não começamos e não desejávamos".
"No segundo dia começamos a lutar contra ataques aéreos. Quando as forças russas exigiram que entregássemos nossas armas, ainda sim continuamos lutando", afirmou.
O presidente da Ucrânia relembrou que, no nono dia de conflito, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) se reuniu para discutir a guerra. "Sentimos que não tivemos o resultado que esperávamos. Sentimos que infelizmente as alianças nem sempre funcionam como deveriam", disse.
Ele relatou que crianças foram mortas durante o conflito, inclusive por não ter acesso a suprimentos básicos.
"A Ucrânia não merecia isso. A Ucrânia não era grande, mas se tornou grande durante esses dias", declarou Zelensky.
O presidente foi aplaudido pelos presentes por cerca de 30 segundos após sua fala.
Entenda o conflito
Após meses de escalada militar e intemperança na fronteira com a Ucrânia, a Rússia atacou o país do Leste Europeu. No amanhecer desta quinta-feira (24), as forças russas começaram a bombardear diversas regiões do país – acompanhe a repercussão ao vivo na CNN.
Horas mais cedo, o presidente russo, Vladimir Putin, autorizou uma “operação militar especial” na região de Donbas (ao Leste da Ucrânia, onde estão as regiões separatistas de Luhansk e Donetsk, as quais ele reconheceu independência).
O que se viu a seguir, porém, foi um ataque a quase todo o território ucraniano, com explosões em várias cidades, incluindo a capital Kiev.De acordo com autoridades ucranianas, dezenas de mortes foram confirmadas nos exércitos dos dois países.
Em seu pronunciamento antes do ataque, Putin justificou a ação ao afirmar que a Rússia não poderia “tolerar ameaças da Ucrânia”. Putin recomendou aos soldados ucranianos que “larguem suas armas e voltem para casa”. O líder russo afirmou ainda que não aceitará nenhum tipo de interferência estrangeira.
A Rússia vem reforçando seu controle militar em torno da Ucrânia desde o ano passado, acumulando dezenas de milhares de tropas, equipamentos e artilharia nas portas do país.Nas últimas semanas, os esforços diplomáticos para acalmar as tensões não tiveram êxito.
A escalada no conflito de anos entre a Rússia e a Ucrânia desencadeou a maior crise de segurança no continente desde a Guerra Fria, levantando o espectro de um confronto perigoso entre as potências ocidentais e Moscou.
(*Com informações da Reuters e da CNN Internacional)


