‘Não há qualquer evidência de fraude’, diz membro da Comissão Eleitoral nos EUA

Em entrevista à CNN neste sábado (7), Ellen Weintraub pediu que americanos confiem no trabalho dos especialistas no monitoramento da disputa entre Trump e Biden

Eleitores em local de votação em Charlotte, Carolina do Norte, Estados Unidos
Eleitores em local de votação em Charlotte, Carolina do Norte, Estados Unidos Foto: Jonathan Drake/Reuters (31.out.2020)

Manuela Tecchio, da CNN, em São Paulo

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Funcionária da Comissão Eleitoral Federal nos Estados Unidos, Ellen Weintraub disse neste sábado (7) que “realmente não houve nenhuma evidência de fraude” nas eleições deste ano, vencida pelo democrata Joe Biden, de acordo projeções da CNN.

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Em entrevista à CNN americana neste sábado (7), Weintraub disse que as informações trazidas por outros membros da comissão ao redor do país são de que o processo de contagem correu como o esperado. 

“Os funcionários estaduais e locais da Comissão já se posicionaram sobre isso. E houve muito poucas reclamações sobre como essa eleição foi conduzida”, disse Weintraub à CNN. “Poucas reclamações fundamentadas, na verdade.”

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Diante das alegações do atual presidente norte-americano, Donald Trump — que solicitou uma recontagem de votos em estados decisivos para a disputa — Weintraub reiterou diversas vezes durante a entrevista: “Não há qualquer evidência de fraude eleitoral. Também não há indícios de que houve votos ilegais”.

A membro da Comissão Eleitoral pediu ainda que os americanos confiem no trabalho dos especialistas. “Vocês não precisam acreditar na minha palavra, porque especialistas eleitorais, que são apartidários, de todo o país lidaram com esta eleição e ditaram a forma como ela foi conduzida.”

Disputa acirrada

Com a crescente polarização da política no país, os Estados Unidos viveram uma das eleições mais disputadas de sua história.

No começo da tar de deste sábado (7), projeções da CNN indicaram a vitória de Biden na Pensilvânia, com o democrata somando 273 votos no colégio eleitoral, contra 213 de Trump. Para ser eleito, o candidato precisa chegar a, no mínimo, 270.

Em meio ao cenário da pandemia do novo coronavírus, milhões de votos de eleitores americanos chegaram pelo correio — a maioria dos eleitores democratas, como já adiantavam pesquisas eleitorais. Em alguns estados decisivos, os votos que chegaram à distância foram fundamentais para a virada de Joe Biden, fato que o presidente Trump usou para questionar a legitimidade das apurações em discursos e posts.

“De repente, como um milagre, os números começaram a favorecer os democratas de maneira ilegal”, disse o presidente na última quinta-feira (5). 

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Trump chegou a iniciar processos judiciais para reverter o cenário de vantagem do democrata. E as ações legais estariam “apenas começando”, conforme afirmou em sua conta no Twitter. A incerteza sobre o próximo presidente dos EUA, que pode durar meses, a depender do andamento dos processos na Justiça, preocupa não só o povo americano e o sistema político, como também o mercado financeiro. 

A judicialização das eleições americanas pode afetar as bolsas de valores, não só em Wall Street, como ao redor do mundo. Talvez por isso, a afirmação de Ellen Weintraub possa ser tão significativa diante de um cenário de dúvida e questionamento da legitimidade deste processo eleitoral.

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