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    Não há solução imediata para crise no Afeganistão, diz professor

    Felipe Loureiro, professor associado da USP, avalia que estamos diante do que pode se transformar numa das maiores crises humanitáriasdo século XXI

    Produzido por Elis Franco, da CNN, em São Paulo

    O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, fez uma retirada de tropas precipitada do Afeganistão, avalia o professor associado da Universidade de São Paulo (USP) Felipe Loureiro.

    Em entrevista à CNN nesta segunda-feira (16), ele afirmou que o mundo está diante de situação humanitária gravíssima e que pode se transformar numa das maiores crises humanitárias do início do século XXI.

    No domingo (15), o grupo islâmico Talibã tomou a capital afegã Cabul. O palácio presidencial foi tomado pelos rebeldes, além de outros prédios do antigo governo, que foi derrubado.

    “Infelizmente, não vejo nenhuma solução imediata para essa situação”, disse o professor. “O presidente Biden tomou uma decisão de política externa extremamente importante. O acordo para a retirada das tropas americanas foi realizado pela administração Trump, mas o presidente Biden decidiu não só manter esse acordo, como acabou fazendo uma retirada muito apressada”, explicou.

    Para Loureiro, os Estados Unidos não deixaram condições mínimas para que o governo afegão pudesse retomar o controle de forma pacífica do país. “A curto prazo, imaginar o retorno de tropas norte-americanas ou mesmo intervenção da ONU não me parece crível”, afirmou. “O que é possível é que grandes potências próximas, como a Rússia e China, acabem tomando posturas pra tentar estabilizar a situação.”

    Fotos – A crise no Afeganistão

    Afegãos ‘petrificados’

    A repórter da CNN Clarissa Ward, que está em Cabul, relata o primeiro dia da cobertura da imprensa internacional no local

    “É possível ver que muita coisa mudou. Certamente, o código de vestimenta, para mim, mudou”, diz a jornalista, que traja um hijab, vestimenta que voltou a ser obrigatória para as mulheres.

    “[Há] pessoas que não saíram na rua, que não se sentem seguras, estão ‘petrificadas’ e imaginando o que o futuro vai trazer”, conta Clarissa.

    O professor Felipe Loureiro relembrou que o Afeganistão passa por guerras sucessivas desde o final dos anos 70. Na década de 1980, o país foi invadido pela União Soviética. O Talibã assumiu o poder em meados dos anos 90 e foi retirado do poder com a intervenção norte-americana.

    “Agora, com o Talibã assumindo o controle, podemos ter uma situação de contínua guerra civil e evidentemente, centenas de milhares de refugiados que tentarão fugir pros países limítrofes.”

    Militar do Afeganistão vigia embaixada dos Estados Unidos em Cabul
    Militar do Afeganistão vigia embaixada dos Estados Unidos em Cabul
    Foto: Reuters