Negociações com os EUA podem levar a acordo "justo", diz presidente do Irã

Após reunião em Omã na semana passada, países devem falar sobre programa nuclear na próxima rodada de discussões

Da Reuters
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O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou nesta segunda-feira (9) que "a nova rodada de negociações nucleares é uma oportunidade adequada para uma resolução justa e equilibrada" da questão nuclear de Teerã, e pediu aos Estados Unidos que evitem "exigências excessivas".  

Diplomatas americanos e iranianos realizaram conversas indiretas em Omã na semana passada, com o objetivo de reativar a diplomacia em meio ao aumento da presença naval dos EUA perto do Irã e às promessas de Teerã de uma resposta dura em caso de ataque.

Autoridades iranianas descartaram repetidamente a possibilidade de colocar os mísseis do Irã — um dos maiores arsenais desse tipo no Oriente Médio — em discussão e afirmaram que Teerã deseja o reconhecimento de seu direito de enriquecer urânio. 

Entenda a tensão entre Irã e Estados Unidos

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a ameaçar um ataque militar contra o Irã caso o país não negocie um novo acordo nuclear que "seja justo com todas as partes".

O líder americano disse que enviou uma "grande frota" para a região, incluindo o porta-aviões Abraham Lincoln e caças F-35.

Autoridades iranianas, por sua vez, refutaram a ideia de negociar sob ameaça dos Estados Unidos. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, disse que conversas só poderão ocorrer "em condições em que ameaças e demandas sejam deixadas de lado".

Araghchi também alertou que as Forças Armadas do Irã estão totalmente preparadas para responder “imediata e poderosamente” a qualquer agressão contra o território, o espaço aéreo ou as águas iranianas.

A escalada da tensão entre o Irã e os EUA neste ano teve início com a repressão aos protestos antigovernamentais no início de janeiro no país do Oriente Médio. A população iraniana se revoltou com a inflação desenfreada, tomando as ruas em manifestações contra o regime.

Trump alertou repetidamente que "atacaria com força total" se as autoridades iranianas reprimissem violentamente as manifestações, afirmando que o país estava "pronto e armado".

Durante os protestos, um bloqueio de internet foi imposto no país e mais de 5 mil manifestantes foram mortos, segundo grupos de direitos humanos.

Ali Shamkhani, conselheiro do líder supremo do Irã, afirmou que qualquer ataque dos Estados Unidos seria considerado o "início de uma guerra".