Chanceler do Irã deixa Paquistão após reunião com mediadores, dizem fontes
Time de representantes americanos não chegaram ao país para conversas sobre a guerra
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, deixou Islamabad na noite de sábado (25), horário local, segundo fontes iranianas familiarizadas com as discussões.
O representante do Irã foi embora depois de encontros na capital paquistanesa para discutir uma trégua com Washington e consultar aliados importantes na região.
Araghchi desembarcou em Islamabad na noite de sexta-feira (24) para uma série de reuniões com a cúpula do governo paquistanês, incluindo o primeiro-ministro Shehbaz Sharif e o chefe do Exército, o marechal de campo Asim Munir, que tem atuado como mediador-chave entre Teerã e Washington.
Ministros paquistaneses tentam facilitar uma segunda rodada de negociações entre autoridades americanas e iranianas, após longas discussões no início de abril não terem conseguido superar os principais obstáculos diplomáticos entre as partes em conflito.
A Casa Branca afirmou na sexta-feira que uma delegação americana viajaria a Islamabad neste fim de semana, mas a mídia iraniana negou as notícias de que Araghchi negociaria diretamente com Washington durante sua viagem, deixando o andamento das negociações incerto.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, transmitiu as exigências de negociação de Teerã, bem como suas reservas em relação às exigências dos EUA, às autoridades paquistanesas durante sua visita a Islamabad.
A informação foi repassada à Reuters neste sábado (25) por uma fonte paquistanesa envolvida nas negociações.
O que está acontecendo no Oriente Médio?
Os Estados Unidos e Israel estão em guerra com o Irã. O conflito teve início no dia 28 de fevereiro, quando um ataque coordenado entre os dois países matou o líder supremo do país, Ali Khamenei, em Teerã.
Diversas autoridades do alto escalão do regime iraniano também foram mortas. Além disso, os EUA alegam ter destruído dezenas de navios do país, assim como sistemas de defesa aérea, aviões e outros alvos militares.
Em retaliação, o regime dos aiatolás fez ataques contra diversos países da região, como Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia, Iraque e Omã. As autoridades iranianas dizem que têm como alvo apenas interesses dos Estados Unidos e Israel nessas nações.
Mais de 1.900 civis morreram no Irã desde o início da guerra, segundo a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos, que tem sede nos EUA. A Casa Branca, por sua vez, registrou ao menos 13 mortes de soldados americanos em relação direta aos ataques iranianos.
O conflito também se expandiu para o Líbano. O Hezbollah, um grupo armado apoiado pelo Irã, atacou o território israelense em retaliação à morte de Ali Khamenei. Com isso, Israel tem realizado ofensivas aéreas contra o que diz ser alvo do Hezbollah no país vizinho. Mais de 1.200 morreram no território libanês desde então.
Com a morte de grande parte de sua liderança, um conselho do Irã elegeu um novo líder supremo: Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei. Especialistas apontam que ele não fará mudanças estruturais e representa continuidade da repressão.
Donald Trump mostrou descontentamento com essa escolha, a classificando como um "grande erro". Ele havia dito que precisaria estar envolvido no processo e pontuou que Mojtaba seria "inaceitável" para a liderança do Irã.


