Nepal: centenas de corpos não identificados serão enterrados em vala comum
Distrito de Chitwan enfrenta necrotérios lotados e sepultará vítimas das enchentes em local sagrado hindu a partir desta sexta-feira (29)

Autoridades do distrito de Chitwan, no centro do Nepal, planejam enterrar centenas de corpos não identificados em uma vala comum em um local sagrado hindu, informou a polícia local à CNN.
Os oficiais enfrentam dificuldades para lidar com a quantidade de corpos já em decomposição que foram recuperados, com os necrotérios operando em capacidade máxima.
Dos 233 corpos recuperados no distrito de Chitwan, apenas quatro puderam ser identificados, disse Ganesh Aryal, o principal administrador do distrito.
As vítimas serão enterradas às margens do rio em Devghat, uma cidade de peregrinação hindu, com o processo começando nesta sexta-feira (29).
Antes do sepultamento, amostras de DNA serão coletadas dos corpos para que possam ser identificados posteriormente, afirmou Aryal.
A cremação é o rito funerário preferencial no hinduísmo.
Os locais de sepultamento serão marcados na esperança de que as famílias consigam localizar os restos mortais de seus entes queridos no futuro, disse o administrador.
Um parlamentar nepalês havia dito anteriormente à CNN que identificar os corpos — que estavam muito desfigurados e cobertos de lama após as trágicas inundações — tem sido um "grande desafio".
Famílias desesperadas aguardam do lado de fora dos hospitais em busca de notícias sobre seus entes queridos.
O ministro das Relações Exteriores do Nepal, Shisir Khanal, disse que o governo solicitou ajuda internacional para a identificação e o armazenamento dos corpos, informou a agência de notícias Reuters.
Nepal recua e pede ajuda estrangeira técnica para lidar com enchentes
O Nepal informou que precisa de assistência técnica estrangeira para lidar com a inundação devastadora que atingiu uma área na fronteira com a China.
O pedido de ajuda acontece depois do país ter recusado apoio nas operações de busca e resgate, afirmando que estava gerenciando os esforços por conta própria.
A nação empobrecida do Himalaia, com 30 milhões de habitantes, também precisará de cerca de US$ 4 bilhões a US$ 5 bilhões (entre R$ 20 e R$ 25 bilhões) para a reconstrução após a destruição causada pela inundação de quarta-feira (26), disse o ministro das Finanças à agência de notícias Reuters.
Desencadeada pelo colapso de uma geleira, uma enorme enxurrada de rochas, gelo, lama e detritos avançou rapidamente pelos sistemas fluviais montanhosos na quarta-feira, matando centenas de pessoas ao arrasar edifícios, pontes e usinas de energia em seu caminho.
Cerca de 3.000 pessoas continuam desaparecidas, incluindo pelo menos 540 estrangeiros, muitos deles peregrinos hindus da Índia.
Corpos irreconhecíveis serão enterrados
Como as mortes decorrentes da enxurrada ocorreram há três dias, as autoridades informaram que alguns dos corpos recuperados agora já apresentavam um grau de decomposição que impossibilitava o reconhecimento.
Eles seriam enterrados após o cumprimento das formalidades legais, devido a riscos sanitários e ao receio de epidemias.
"Serão coletadas amostras de DNA e os corpos serão enterrados em um espaço aberto", informou a administração do distrito de Chitwan em um comunicado.
Em Catmandu, familiares dos desaparecidos reuniram-se em frente ao Campus Médico de Maharajgunj, para onde alguns corpos foram levados.
Muitos tentavam identificar parentes por meio de fotografias dos corpos ali depositados — imagens que estavam coladas ou penduradas no portão e nos muros do local.
As autoridades informaram que apenas sete dos 49 corpos levados ao hospital haviam sido identificados.
China pede cooperação internacional
Nova Délhi enviou três voos com cerca de 60 toneladas de suprimentos de ajuda humanitária ao Nepal — incluindo cobertores, medicamentos, alimentos e pastilhas para purificação de água — e planeja enviar também uma equipe de resgate em túneis e uma equipe médica.
A Índia também ofereceu sua força de resposta a desastres e pontes pré-fabricadas, juntamente com equipes técnicas para ajudar a restabelecer as vias de acesso, informou o Ministério das Relações Exteriores.
Pequim pediu o envio de ajuda emergencial para as áreas do Nepal atingidas pelo desastre e solicitou cooperação internacional em resgates, sem detalhar o que a China está enviando ao país.
O ministro das Finanças, Swarnim Wagle, disse à Reuters que a estimativa inicial de Catmandu é de que seriam necessários entre US$ 4 bilhões e US$ 5 bilhões para a reconstrução.
"Essa é apenas uma estimativa. As perdas e os danos ainda estão sendo avaliados", afirmou ele.
Autoridades chinesas também têm trabalhado intensamente para localizar mais de 500 pessoas desaparecidas após a inundação.
Na sexta-feira (28), equipes de resgate chegaram ao complexo de fronteira de Gyirong — a área mais atingida —, atravessando montanhas e vales e utilizando cordas para transpor florestas e penhascos, uma vez que as estradas de acesso ao local, cercado por encostas íngremes do Himalaia, haviam sido destruídas.
Imagens de câmeras de segurança do posto de fronteira mostraram enormes enxurradas de água e detritos invadindo as edificações no momento em que a inundação atingiu o local, enquanto as pessoas tentavam escapar.



